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Almanova (#1) :: Jodi Meadows

17 . dezembro . 2014

Quando recebi o catálogo da editora Valentina fiquei impressionada com tantos títulos bacanas e com a variedade de gêneros que quase não soube escolher o primeiro livro para resenhar no Di Moça.
Depois de ler várias resenhas e recomendações, optei por Almanova, primeiro livro da trilogia Incarnate de Judi Meadows. Trago para vocês um pouquinho sobre a distopia e o que achei da leitura, confiram abaixo!

Almanova #1 (Incarnate #1)
Autora: Jodi Meadows
Ano: 2014
Páginas: 286
Editora: Valentina

* Livro enviado pela editora como cortesia.

Sinopse:

Almanova Ana é nova. Por milhares de anos, no Range, milhões de almas vêm reencarnando, num ciclo infinito, para preservar memórias e experiências de vidas passadas. Entretanto, quando Ana nasceu, outra alma simplesmente desapareceu… e ninguém sabe por quê. SEM-ALMA A própria mãe de Ana pensa que a filha é uma sem-alma, um aviso de que o pior está a caminho, por isso decidiu afastá-la da sociedade. Para fugir deste terrível isolamento e descobrir se ela mesma reencarnará, Ana viaja para a cidade de Heart, mas os cidadãos de lá temem sua presença. Então, quando dragões e sílfides resolvem atacar a cidade, a culpa deverá recair sobre… HEART Sam acredita que a alma nova de Ana é boa e valiosa. Ele, então, decide defendê-la, e um sentimento parece que vai explodir. Mas será que poderá amar alguém que viverá apenas uma vez? E será também que os inimigos – humanos ou nem tanto — de Ana os deixarão viver essa paixão em paz? Ana precisa desvendar grandes segredos: O que provocou tal erro? Por que ela recebeu a alma de outra pessoa? Poderá essa busca abalar a paz em Heart e acabar por destruir a certeza da reencarnação para todos?

Créditos: Skoob

A cada geração, as almas renascem em corpos novos e desconhecidos. Como um ciclo de reciclagem. Em Range as pessoas contavam histórias sobre o que haviam feito nas três vidas passadas. Nas dez vidas passadas. Nas vinte vidas passadas. Batalhas contra dragões e a invenção da primeira pistola a laser, por exemplo.
Ana não renasceu.
Aos cinco anos ela percebeu como isso a tornava diferente. Todos os outros se recordavam de uma centena de vidas antes desta. Ela, ao contrário, é uma sem-alma, como sua mãe Li costumava lembrá-la a todo instante. Esta não deveria ser a sua vida mas de alguém que todos conheciam havia cinco mil anos.

“- Você sempre terá a opção de decidir por si mesma quem você é e o que se tornará.”

Ana deveria ter ido embora antes do seu quindec (décimo quinto aniversário) que, para as pessoas normais, assinalava a maturidade física. Agora, aos 18 anos, ela decide partir em busca de uma resposta. Sem dúvida, ela não era um erro, um grande oops. Perguntas como de onde veio e por que nasceu tomando o lugar de outra pessoa precisam ser respondidas.
Para obter as respostas que procura, Ana fará uma viagem até Heart, pedirá ao Conselho para passar um tempo na grande biblioteca. Deveria haver uma razão para que, após cinco mil anos de reencarnação das mesmas almas, ela tivesse nascido.

“O passado é doloroso demais quando você se lembra de como as vidas terminam.”

Todavia, durante sua jornada, Ana conhece Sam (Dossam), um garoto de 18 anos mas com a alma reencarnada há várias gerações. Tal relacionamento, que surgiu em situações de risco durante a viagem, irá ajudá-la a compreender melhor o mundo das almas reencarnadas. Além de ser um guia para chegar até a cidade, Sam irá desvendar mitos e conceitos sobre a vida que Ana não possui. Muitas aventuras os esperam até a chegada em Heart e, juntos, estarão propícios a criar um laço de afeto que Ana desconhecia.

“- Acho que você vai descobrir que as coisas simples costumam ser as mais desafiadoras. Tudo aparece nelas. Tudo tem importância.”

Em Heart, Ana tem a oportunidade de conhecer o Conselho e constata que ser uma almanova (ou sem-alma) pode ser audacioso em uma sociedade com milhões de almas reencarnadas. Quero dizer, cada uma delas faz a sua parte para garantir o aperfeiçoamento da sociedade. Cada uma tem dons ou habilidades necessários, como facilidade com os números ou com as palavras, imaginação para inventar coisas, capacidade para liderar ou simplesmente o desejo de cuidar do gado e plantar para que ninguém passasse fome. Ana não conquistara nada e estava na hora de aprender as habilidades que os outros já dominavam havia milhares de anos.
Quem estaria disposto a assumir essa função?

“- Não vou perder meu tempo ficando zangada com coisas que não posso controlar. Se tenho apenas uma vida, tenho que aproveitar ao máximo.”

O Conselho decide, por fim, que Sam ficará como professor de Ana. Relatórios com o progresso dela serão recebidos e analisados pelo Conselho todos os meses. E, desde que ela obedeça a um toque de recolher e se sujeite a aulas e testes, ela poderá ficar e pesquisar o que for preciso para descobrir seu objetivo no mundo.
Era (quase) tudo o que Ana almejava com essa viagem, mas de certa forma era tudo assustador agora que estava ali. As pessoas de Heart conheciam uns aos outros, e podiam mais ou menos predizer o que todos fariam em determinadas situações. Mas ela era algo novo. Desconhecido. Ficara escondida durante dezoito anos, e eles não tinham tido tempo de pensar nela, mas agora voltara cheia de ideias e opiniões próprias. O que faria?
Com um determinado tempo em suas mãos, Ana terá que desenvolver habilidades, conceitos e tentar se encaixar em um mundo que nunca pertenceu. Tal realidade tão desconhecida irá lhe proporcionar aventuras com seres exóticos como sílfides, dragões, centauros, grifos e Janan (um grande ser que criou todos eles e lhes deu a alma e vida eterna). Será que Ana terá sucesso em sua expedição?

“- Se eu soubesse que não havia muito tempo de sobra, faria as coisas com mais rapidez. Ver mais lugares, terminar todos os meus projetos. Não ia perder tempo sonhando acordado ou começando coisas novas.”

De início achei que estava embarcando em uma aventura chata e maçante. Apesar de eu ter lido a sinopse antes de começar a leitura, os primeiros capítulos de Almanova me deixaram entediada e um pouco muito confusa, afinal de contas, distopias tendem a ter muitas revelações logo no começo sem grandes explicações – sendo estas disponíveis ao longo dos capítulos.
Mas logo após as cinquenta primeiras páginas me encontrei em um mundo muito curioso em que uma personagem se destaca de todas as outras pessoas por ser exatamente como nós. Digo, ela é uma almanova, uma pessoa que nunca reencarnou e que nasceu por algum motivo desconhecido. Tal situação a leva a sair de casa em busca de respostas, afinal de contas, não deve ser o cenário mais agradável ser diferente (de forma curiosa) dos outros personagens.

Ao mesmo tempo que achei interessante a mistura de seres mitológicos (centauros, dragões, sílfides) em uma época bem tecnológica (com veículos aéros e armas a laser) fiquei um pouco confusa para me identificar em que período exatamente estaríamos ambientados. Talvez por eu pensar demais ou ser muito detalhista, isso me deixava incomodada mas nada que atrapalhasse o fluir da leitura.

Ana é uma personagem totalmente perdida quanto às suas atitudes e pensamentos. Claro, vivendo com Li por dezoito anos, sempre rebaixando a menina em posição de sem-alma, é compreensível o fato de ela ser muito negativa, dramática e lamentar suas experiências nos primeiros capítulos. Somente quando ela conhece Sam e este passa a mostrar um outro perfil de uma almanova que ela começa a moldar sua identidade.

A narrativa em primeira pessoa funcionou muito bem nesta distopia. Os relatos de Ana nos mantém privados de conhecer o cenário completo, só permitindo que tudo fosse revelado ao decorrer de suas próprias experiências. Às vezes, quando um livro nos joga toda a verdade de uma vez só, fica mais cansativo e enfadonho virar as páginas.

Ainda que eu não acredite em reencarnação e vidas passadas, achei interessante a ideia de Jodi Meadows em transformar tal conceito em algo comum e aceitável. A gente consegue se inserir nas mesmas experiências e descobertas de Ana (uma almanova) e pensar como seria viver em uma situação como a dela.

Como primeiro livro da trilogia Incarnate percebi que a autora nos oferece muitas explicações e poucas aventuras intensas (dessas que seguram o nosso fôlego e só nos permite respirar melhor quando os personagens terminam aquele momento crucial). Acredito, porém, que o segundo volume da série nos oferecerá muitas batalhas e acontecimentos triviais que deixarão a leitura mais vibrante. Por isso quero muito que a Valentina lance o Almanegra!

Quem já leu o primeiro livro desta trilogia? Que tal compartilhar com a gente sua opinião? Ela é super bem vinda e com certeza motivará outros leitores a tirarem suas próprias opiniões!
Agradeço a editora por me proporcionar um bom momento com Ana e os personagens principais, bem como a oportunidade de explorar um outro mundo!
Beijos di moça!

Jodi Meadows

Jodi Meadows se mostra uma alquimista quando mescla fantasia e paixão eterna com muito suspense nessa fantástica história sobre a eternidade. Vive e trabalha na Virginia, EUA, com o marido, um gato e uma quantidade alarmante de ferrets. Viciada confessa em livros, sempre quis ser escritora, pelo menos desde que desistiu de ser astronauta. Visite www.jodimeadows.com e conheça mais sobre o fantástico sucesso dessa jovem e promissora autora.


Site da autora | Site Valentina
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O Homem Perfeito :: Vanessa Bosso

10 . dezembro . 2014

Ao voltar para o mundo da leitura, seis meses depois de umas boas férias, queria algo que não me assustasse com tantas informações ou que me desanimasse por ter ficado tanto tempo afastada dos livros. Nessas horas sempre recorro a um bom chick-lit porque são histórias mais leves porém cheias de humor (e era exatamente de boas risadas que eu precisava). Para este retorno escolhi O Homem Perfeito da escritora Vanessa Bosso, lançado pela Novas Páginas!
Confiram abaixo um pouquinho mais sobre o livro e minhas conclusões!

O Homem Perfeito
Autora: Vanessa Bosso
Ano: 2014
Páginas: 224
Editora: Novas Páginas

* Livro enviado pela editora como cortesia.

Sinopse:

Melina teve alguns relacionamentos ruins, outros péssimos… Mesmo assim, ela não desiste: um dia ainda vai encontrar alguém que a complete e que entenda algumas manias fofas que ela tem como comprar mais sapatos do que pode guardar ou tomar uma multa ou outra por excesso de velocidade. Ela faz a sua parte escrevendo um pedido ao universo, no qual descreve esse ser incrível nos mínimos detalhes. Agora é só esperar, certo? Melina não imagina, porém, que esse presente dos céus já existe, mas foi parar nos braços de uma mulher in-su-por-tá-vel. O que fazer quando o destino insiste em brincar com a sua paciência?

Créditos: Skoob

“Farei deste o primeiro dia do resto da minha vida.”

Melina é uma jovem mulher que acaba de levar um baque na vida amorosa. Afinal de contas, pegar o seu namorado – que por sinal também é seu chefe – nos amassos com a secretária boazuda dos peitos comprados não é fácil. Ainda mais para Melina que insiste em acreditar que sua vida amorosa é um caso perdido e que o Universo não faz questão de considerar sua situação para lá de trágica. Nessas horas, quando você perde o namorado, o emprego, as economias e chão onde pisava (menos os duzentos e oitenta e dois pares de sapato) a única saída é voltar para o aconchego e conselhos da família em Paraty (RJ) para tentar encontrar um novo rumo.
Ao invés de encarar esse momento como umas férias, Melina acaba optando por voltar a morar com o seu pai e ajudar seus avós a tocarem a pousada. Aliás, a Pousada das Margaridas é um lugar bucólico e acolhedor. Não deve ser tão ruim voltar e reviver grande parte do seu passado, é?

“Eu só queria um homem para chamar de meu, alguém que não me traísse e fosse um companheiro para todo o sempre. É pedir demais?”

A verdade é que o passado de Melina não foi tão próspero e feliz. Primeiro porque, aos 12 anos, sua mãe a abandonou para buscar a iluminação com um grupo de hippies que ficaram na pousada de passagem; a menstruação tinha dado as caras e, depois de um tempo, perdeu o seu primeiro e grande amor Bernardo De Lucca (Lucca, Lucca, Lucca! *-*) por uma estupidez chamada traição. Que garota realmente gostaria de reviver tudo isso? Melina foi embora e viveu sua vida em outra cidade, não foi nem capaz de deixar uma carta de despedida. Saiu de Paraty naquela certeza absoluta de que ele (Bernardo) a amaria por todas as horas, todos os dias, até o fim de sua vida.
Mas ao chegar em Paraty, Melina vai dar de cara com grandes mudanças. Será que estará pronta para enfrentar mais alguns baques e conspirações do Universo?

“É difícil e até embaraçoso chegar à conclusão de que nada valeu a pena.”

A verdade é que Bernardo, o primeiro “tudo” de Melina está noivo de sua arqui-inimiga Samantha Bragança. E não é só esse detalhe não: tanto o ex-namorado quando a inimigazinha de quinta categoria estão trabalhando no mesmo hospital ao qual Mel desenvolverá seu trabalho como publicitária. É mole ou quer mais? Parece que os sentimentos que estavam mortinhos dentro do coração da Mel estão reascendendo toda vez que encontra Bernardo (e olha que são muitas vezes, eita cidade pequena), mas o que se pode fazer quando a culpa é toda sua?
Agora é a hora de Mel descobrir a fundo os seus sentimentos, o seu caminho e até sua identidade. Com a ajuda dos amigos, dos avós e do próprio Bernardo, Mel terá que – finalmente – encarar seu passado e a si mesma para viver em paz com seu futuro.

“- O que é seu está guardado e virá no tempo certo, independentemente da velocidade com que você corra. A ansiedade é uma distração inútil, digo isso com propriedade. Desacelere. Acredite em um poder superior. Não estamos sozinhos, alguém olha por nós.”

Em 41 capítulos bem curtinhos, a autora Vanessa Bosso nos apresenta um chick-lit agradável, alegre, cheio de dramas de uma mulher que não tem sorte nos relacionamentos e facinho de nos cativar em cada acontecimento (hilário, irônico, sério, romântico) vivido pelos personagens. Sabe aquele velho ditado que “ex-namorado é igual carro antigo, ninguém quer voltar a ter o mesmo?” Em O Homem Perfeito provamos que nem todos os ex relacionamentos são feitos para ficarem no passado e muitas águas podem rolar durante as páginas.
A narrativa em primeira pessoa é sempre bem vinda, na minha opinião, quando se trata de chick-lit e tive bons momentos com Mel e seus dramas elevados ao quadrado.

Devo confessar que senti falta da participação mais ativa da personagem Samantha, a noiva de Bernardo e arqui-inimiga de Mel. Acredito que a personagem deveria marcar presença (ou território, como preferir) e causar mais confusões que só são permitidos e aceitos em um livro deste gênero. Sempre caio na gargalhada quando me deparo com situações de puro bafafá entre mulheres (claro que na vida real eu prefiro ser reservada, viu!)

Se você está procurando uma leitura agradável, rápida e leve, recomendo O Homem Perfeito, livro de Vanessa Bosso lançado pelo selo Novas Páginas da editora Novo Conceito! Esse é o primeiro livro da Vanessa que tenho a oportunidade de ler e espero ler os outros livros – de gêneros diferentes.

Quem já leu, por favor, compartilhe conosco sua opinião pelos comentários e divulgue o talento da nossa literatura nacional!
Beijos di moça!

Vanessa Bosso

Autora é redatora publicitária há mais de 10 anos. Descobriu sua verdadeira vocação há pouco menos de 2 anos quando escreveu seu primeiro romance: 2012 uma aventura no fim do mundo. Depois desse mais três foram escritos: O Elemental, O Imortal e Senhor do Amanhã.


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Austenlândia :: Shannon Hale

03 . dezembro . 2014

Você já pensou se pudesse adentrar no mundo do seu livro/autor preferido? Shannon Hale, autora de Academia de Princesas nos apresenta seu primeiro romance para o público jovem/adulto com a protagonista Jane Hayes, obcecada pelo Sr. Darcy – personagem criado pela aclamada Jane Austen.
Confiram a resenha deste romance super prazeroso e identifique-se com Jane (a Hayes).

Austenlândia (Austenland)
Autora: Shannon Hale
Ano: 2014
Páginas: 240
Editora: Record

* Livro enviado pela editora como cortesia.

Sinopse:

Jane Hayes tem 33 anos e mora na Nova York atual. Bonita, inteligente e com um bom emprego, ela guarda um um segredo constrangedor: é verdadeiramente obcecada pelo Sr. Darcy. Embora sonhe com ele, os homens reais com os quais se depara são muito diferentes dos que habitam sua fantasia. Justamente por isso, ela decide deixar de lado sua vida amorosa e aceitar seu destino: noites solitárias aconchegada no sofá assistindo a Colin Firth em seu DVD. Porém, esses não são os planos que sua rica e velha tia-avó Carolyn, tem para a moça. A única a descobrir o segredo de Jane deixa, em seu testamento, férias pagas para a sobrinha-neta na Austenlândia. A ideia é que Jane tenha uma legítima experiência como uma dama no início do século XX e consiga se livrar de uma vez por todas de sua obsessão. Contudo, para isso, ela terá que abrir mão do celular, da internet e até do uso de sutiãs em troca de tardes de leitura, espartilhos e… a companhia de belos cavalheiros.

Créditos: Skoob

Jane Hayes, aos seus 33 anos, mora em Manhattan, é designer gráfico de uma revista e leva uma vida como todas as mulheres de sua idade a não ser pelo seu segredo. Durante o dia, ela se ocupa e almoça e manda e-mails e trabalha até mais tarde e chega em cima da hora, mas às vezes, quando tem tempo de tirar os sapatos de salto comprados em um bazar e relaxar no sofá de segunda mão, ela diminui a luz, liga a TV e confessa o que está faltando.
Às vezes, ela vê Orgulho e Preconceito.
Você sabe, a versão dupla da BBC em DVD, com Colin Firth no papel do delicioso Sr. Darcy e aquela bela atriz inglesa de seios fartos como a Elizabeth Bennet que sempre imaginamos.
Para muitos de nós, leitores, ser fã de um personagem fictício é comum – a gente até cria situações imaginárias onde estamos casados com eles, com filhos e bem de vida. Mas é sério, uma mulher de 30 e poucos anos não deveria sonhar acordada com um personagem fictício de um mundo de 200 anos de idade a ponto de influenciar sua vida e seus relacionamentos muito reais e muito mais importantes. É claro que não deveria. Até sua tia-avó Carolyn parece deixar isso bem claro na sua primeira visita à Jane.

“Descubra o que é real pra você. Não adianta se apoiar na história de outra pessoa a vida toda.”

Mas infelizmente, depois de alguns meses do encontro das duas, tia Carolyn morre. Jane não conheceu Carolyn o bastante para sofrer com o luto, só para se sentir sensível e perplexa com a ideia da morte dela. Todavia, o que surpreende Hayes é saber que seu nome está no testamento da Carolyn também. O que ela deixaria para uma parente quase estranha? Carolyn tinha uma família numerosa, então a quantia não podia ser grande, mas, por outro lado, os boatos da riqueza de sua tia-avó eram lendários.
O que Jane vai descobrir ao conversar com o advogado da Carolyn é que a cliente foi…eclética… no testamento. Ela fez compras para alguns amigos e parentes e deixou a maior parte do dinheiro para instituições de caridade. Para Hayes, ela planejou férias.

Pembrook Park, Kent, Inglaterra. Entre por nossas portas como um convidado que veio passar três semanas a fim de apreciar as maneiras do campo e a hospitalidade – uma visita para o chá, uma dança ou duas, uma volta no jardim, um encontro inesperado com um certo cavalheiro, tudo culminando em um baile e talvez algo mais…

Aqui, o príncipe regente ainda governa uma Inglaterra tranquila. Se roteiro. Sem final escrito. Férias como ninguém mais pode oferecer.”

Resumindo: são férias de três semanas com tudo incluso na Inglaterra. Você se fantasia e finge ser alguém de 1816. Vem também com uma passagem de avião de primeira classe. As férias não podem ser canceladas e o dinheiro não pode ser devolvido. A pergunta agora é Jane deve ir?.
Voltando no passado de Jane, acompanhamos uma trajetória amorosa engraçada e até sofrida. Por que não se aventurar no faz-de-conta Regencial vivido por sr. Darcy e Elizabeth Bennet? Estava tudo decidido: Jane faria uma última excentricidade antes de desistir completamente dos homens. Ela viveria sua fantasia, se divertiria loucamente e enterraria tudo de vez. Nada mais de Darcy. Nada mais de homens, ponto final. Quando ela chegasse em casa, se tornaria uma mulher perfeitamente normal, feliz por estar solteira feliz consigo mesma.
Até jogaria fora os DVDs.

“- Nunca entendi as mulheres que vêm aqui, e você é uma delas. Não consigo entender.
– Acho que eu não poderia explicar isso pra um homem. Se você fosse mulher, eu só precisaria dizer ‘Colin Firth de camisa molhada’ e você diria ‘Ah’.”

Ao entrar neste mundo tentador onde tudo é possível -dentro das regras da época – nossa srta. Jane Erstwhile (até o nome muda, sabe como é, para entrar no clima) terá a oportunidade de usar espartilhos, calçolas, vestidos de gala e conhecer personagens de mesma valia, como a sua tia Saffronia e seu marido John Templeton, que há muito não viam sua sobrinha. Temos também as senhoritas Elizabeth Charming, de Hertfordshire e Amelia Heartwright. Claro que os cavalheiros não podem ficar de fora, são chaves mestras nesse mundo. Ao conhecer o sr. Nobley, o coronel Andrews e o capitão Tent tudo fica ainda mais divertido.
Mas até onde e quando é possível diferencia o real de um mundo de atuações, brincadeiras e mentiras? A partir daí temos uma Jane Hayes do século XXI dentro de uma Inglaterra de 1816. Ao entrar nesta terra dos contos de fadas nossa protagonista pensará estar em um lugar seguro onde andar, arrumar problemas, entender a situação e sair sem arranhões. Será mesmo que para nossa amada Jane é possível?

“Aqui estava ela em Pembrook Park, um lugar onde mulheres pagam montanhas de dinheiro para andar com homens contratados para idolatrá-las, mas ela encontra o único homem no local que está em posição de rejeitá-la e o leva a fazer isso. Típico de Jane.”

Antes de continuar preciso dizer (com alguma vergonha na cara) que ainda não li Orgulho e Preconceito. Tá bom, podem me julgar mas tenho meus motivos. Se servir de alguma coisa, eu assisti ao filme – versão Matthew MacFadyen e Keira Knightley.
Mas é claro que eu também gostaria de conhecer um tal sr. Darcy.
Quando conhecemos Jane e sua obsessão por sr. Darcy fica impossível você não se identificar com a personagem. Vai me dizer que você nunca se viu sonhando acordada com seu personagem de livro favorito? Ah tá. Quando Hayes tem a oportunidade de vivenciar um mundo parecido com o qual ela sonha, a leitura fica mais envolvente. Torcemos e vibramos para que Jane se encontre de alguma forma nessas férias. Claro que existem vários obstáculos que surgem no decorrer da leitura e isso torna as páginas mais rápidas e pitorescas.
Jane vai ter que entrar no papel de Srta. Earstwhile de qualquer jeito e encarar todos os outros personagens da mesma forma. É de se admirar como as pessoas conseguem encarnar uma fantasia quando precisam.
Shannon Hale nos traz, de forma alegre e divertida, uma personagem fascinante que me conquistou com suas ironias e situações quase bizarras ao lidar com os cavalheiros regenciais.

“O Sr. Darcy não existia, o homem perfeito não existia. Mas talvez houvesse alguém. E ela estaria pronta.”

Independente se você já leu Orgulho e Preconceito ou não, recomendo essa leitura leve e dinâmica, ambientada em uma Inglaterra que só Jane Hayes poderia pintar de forma espirituosa. A narrativa em terceira pessoa nos aproxima da protagonista sob o ponto de vista da autora, o que proporcionou uma leitura bem fluente e sem interrupções toscas.
A série Austenlândia é composta por dois livros, sendo este o primeiro. Vamos esperar o segundo livro (Midnight in Austenland) pela Record!

Quem já leu este romance cordial e deleitoso? O que acharam? Compartilhem suas opiniões através dos comentários!
Beijos di moça!

Shannon Hale

Shannon Hale é uma escritora americana de fantasia jovem adulto (young adult) e ficção adulta; autora de dez romances, incluindo o best-seller “Academia de Princesa” – que ganhou o prêmio Newbery Honor -, os livros da série “Bayern”, dois romances para adultos e dois romances gráficos que ela e o marido são co- escritores.
Começou a escrever aos nove anos de idade e não parou; seus trabalhos mais notáveis foram: “Academia de Princesa”, “Goose Girl” e “Book Of A Thousand Days”.
Hoje, Shannon vive com seu marido e seus dois filhos pequenos em South Jordan, Utah.


Site da autora | Site Grupo Record
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Restos Humanos :: Elizabeth Haynes

18 . junho . 2014

Confesso desde já que esta foi uma resenha muito difícil de ser compartilhada. Pois, como indicar uma de suas autoras favoritas no gênero thriller/suspense levando em conta apenas o enredo em sim? Muito difícil. Por isso, peço que leia a resenha até o final para que entendam a nota e os aspectos considerados durante a leitura de Restos Humanos, de Elizabeth Haynes, lançado pela Intrínseca em março deste ano!

Restos Humanos (Human Remains)
Autora: Elizabeth Haynes
Ano: 2014
Páginas: 320
Editora: Intrínseca

* Livro enviado pela editora como cortesia.

Sinopse:

Você conhece bem seus vizinhos? Saberia dizer se eles estão vivos ou mortos? Ao encontrar por acaso o corpo de uma vizinha em avançado estado de decomposição, Annabel Hayer, que trabalha com análise de informações para a polícia, fica horrorizada ao pensar que ninguém — e isso inclui ela mesma — sentiu falta daquela mulher. De volta ao trabalho, ela vasculha os arquivos policiais e encontra dados que mostram um aumento significativo de casos como aquele nos últimos meses em sua cidade. Conforme aprofunda a investigação, Annabel parece cada vez mais convencida de estar no rastro de um assassino, e é obrigada a enfrentar os próprios demônios e a própria fragilidade. Será que alguém perceberia se ela simplesmente desaparecesse? Um thriller psicológico extremamente perturbador, Restos humanos fala de nossos medos mais obscuros, mostrando como somos vulneráveis — e a facilidade com que vidas podem ser destruídas quando não há ninguém que se importe com elas.

Créditos: Skoob

Uma das características que me impedem de desenvolver a resenha em ordem cronológica e de fato como a história é, são os pontos e detalhes que a autora vai liberando ao decorrer da leitura e estas podem se tornar spoiler dos grandes. Então o que posso dizer, em suma, é que a história nos é apresentada sob três diferentes pontos de vista:

Annabel Hayer é uma mulher de meia-idade que mora com sua gata Lucy em Briarstone. A verdade é que Annabel não tem muitas características envolventes. Digo, a mulher mora sozinha (tudo bem, com sua gata), trabalha no distrito federal (no setor de Inteligência) e nem mesmo seus colegas de mesa de trabalho se atentam à ela. Talvez isso fosse perturbar metade das mulheres de quase 40 anos de idade mas Annabel até que está acostumada com sua vida/rotina. Porém – sempre tem um porém – a vida da mulher se destaca por algumas horas quando, por motivos de curiosidade – e instinto, talvez? – descobre o corpo de Shelley Burton, 43 anos, em decomposição na própria sala de estar.

“Morte suspeita
Aproximadamente, às 20h32 de sexta-feira, uma unidade de patrulha foi deslocada para um endereço na New Market Street, Biarstone. A vizinha sentiu um cheiro forte vindo do endereço em questão e entrou na casa, descobrindo os restos em decomposição de uma mulher na sala de estar. A falecida teve a idade estimada em 43 anos e morava naquele endereço. Parentes mais próximos foram informados. A Delegacia de Homicídios esteve presente no local e, embora as investigações ainda estejam em curso, acredita-se que não havia circunstâncias suspeitas. (Briarstone Chronicle)
(…)
Policiais foram chamados até uma casa em Newmarket Street, em Briarstone, sexta-feira passada e ficaram chocados ao encontrar o corpo de Shelley Burton, 43 anos, na sala de sua residência. A Sra. Burton morava sozinha e não era vista havia alguns meses.”
(Briarstone Chronicle)

No final das contas, Annabel devia ter se afastado. Devia ter voltado para casa e trancado a porta, sem pensar mais naquilo tudo. Afinal, o problema não era dela, não é mesmo? Mas, já tendo praticamente arrombado a casa, sentindo aquele cheiro fétido no interior, achou que poderia muito bem terminar o que começara e ver se havia alguém lá dentro.
A partir da descoberta do corpo já horrendo de Shelley, a curiosidade e pesquisas de Annabel nos apresenta outros números mais assustadores de casos de pessoas que, aparentemente moravam sozinhas, e foram encontradas em estado de decomposição (putrefação) em seus próprios lares. Tal preocupação também se torna interesse do jornal Briarstone Chronicle e do reporter sênior Sam Everett, que delicadamente vai em busca de Annabel para obter mais informações e, juntos, desmistificarem os casos – já que estes não apresentam qualquer sinal de violência ou morte aparente.

“É um triste sintoma da nossa sociedade que tantas pessoas de nossa comunidade não conheçam seus vizinhos, ou que prefiram acreditar que outras pessoas deveriam se preocupar, que outras pessoas sabem onde estão, os outros que assumam a responsabilidade. Mas, na verdade, essas outras pessoas não existem.”
(Briarstone Chronicle – Outubro)

Para Colin Friedland, nos seus trinta e poucos anos, funcionário do departamento de tecnologia da informação do conselho municipal, acredita que todos esses acontecimentos são circunstâncias que ajudaram as pessoas a escaparem do peso de suas vidas que vinham levando até então. Mas o que mais ele poderia saber? Seu foco principal está sempre nos estudos, tendo visto como desafio um curso de “PNL e técnicas de análise comportamental para negócios e interação social”.

“- Só acho que é uma pena – falei. – Estar morta por tanto tempo e ninguém sabe que você se foi.”

A partir destes três pontos de vista (Annabel, Colin e o próprio jornal Briarstone Chronicle), nos aventuramos em altos números e enigmas de pessoas encontradas em estado de decomposição em suas próprias casas e sozinhas. Mas estes não foram motivos suficientes para interromper as pesquisas de Annabel e atrair a atenção de diversos setores policiais dentro do distrito de Briarstone (inclusive, o próprio jornal Chronicle). A preocupação com possíveis moradores sozinhos se tornam alvos de manchetes e campanhas de jornais, instigando uns aos outros a conferirem como estão seus próprios vizinhos e se existem atividades incomuns entre eles durante certo período de tempo.
Porém é claro que, quando a morte está pronta para abraçar alguém, nada e ninguém é páreo para deter o inevitável.

Desde a descoberta do corpo de Shelley, a polícia tem encontrado outros corpos em decomposição há meses e a pergunta é: tudo seria mero acaso ou há um assassino tramando todos os eventos e consequências dos mesmos? Annabel é a nossa protagonista que, por azar, se revelará vítima e perseguidora do verdadeiro culpado e conspirador de todas essas mortes “aparentemente” sem precedentes mas que são arquitetadas com esmero e talentos.

“Era como se meu corpo já tivesse morrido e apenas esperasse minha mente alcançá-lo. E talvez a nuvem negra seja isso, afinal de contas. (…). E tantos de nós ainda estamos perambulando pelo mundo, mas estamos simplesmente mortos por causa da nuvem dentro, fora de nós, ao nosso redor.”

Assim como em No Escuro (ainda o melhor livro da Elizabeth que li), a autora nos apresenta os personagens principais e também o verdadeiro assassino/culpado/criminoso/etc. logo nos primeiros capítulos da leitura e com muita facilidade. Ou seja, não dá tempo para “bancarmos” verdadeiros detetives. No livro No Escuro tal característica não prejudicou a leitura, pelo contrário, fiquei mais compelida a conhecer o fim que um ser inescrupuloso levaria.
Já em Restos Humanos, ao sermos apresentados quase imediatamente ao protagonista com distúrbios e pensamentos delirantes em determinados momentos, a leitura pode se tornar um pouco previsível. Mas nada disso torna a leitura cansativa ou insuportável. Devo ressaltar que, em Restos Humanos, a tensão por você (leitor) ser a única pessoa a conhecer o conspirador de todas as destruições humanas te deixa roendo as unhas até arrancar as cutículas dos dedos do pé.

A busca constante por referências e notas sobre os assuntos mencionados no livro são expostos através de narrativas e insights de alguns personagens. São características que encontramos em ambos os livros e não posso negar que a autora merece os créditos pela busca de referências sobre o assunto.

“Não conheço ninguém que esteja tão à vontade com o conceito de morte quanto eu. Todas essas pessoas, e tantas outras por aí afora, que estão cansadas, doentes e deprimidas… e o que nós fazemos com ela? Pagamos tratamentos médicos demorados e invasivos às custas daqueles que cuidam dos nossos corpos e assim permanecemos em forma e saudáveis. Ou então simplesmente as colocamos em asilos, com gastos ainda maiores, onde elas não têm mais a opção de pôr um fim a tudo por conta própria. Estamos tratando nossos vizinhos de forma pavorosa. Nós os deixamos morrer gradualmente durante meses, anos até, quando tudo do que precisam é de alguém que lhes diga que está tudo bem, que, se quiserem ir embora, podem ir. Que é fácil, simples e pode ser indolor. Podem escolher esses caminhos se assim quiserem. E Deus sabe quantos deles fazem isso, diante das alternativas que lhes restam! Tudo o que fiz foi mostrar a essas pessoas que elas podem escolher esse caminho. Poderiam ter escolhido outro se assim desejassem. Mas não o fizeram. Escolheram morrer.”

Falando sobre o tema, a autora destaca a preocupação sobre a vida de pessoas que vivem sozinhas, principalmente nos Estados Unidos, que estão à mercê de serem esquecidas e nem serem notadas pelos próprios vizinhos. Também temos como tópicos importantes a depressão, a desmotivação pela vida e a falta de propósito da mesma por acontecimentos trágicos e/ou que tornam o ser humano impotentes.

Confesso que jamais tinha ouvido/lido falar sobre a morte indolor até o momento de o corpo chegar no estado de decomposição (isso vocês conhecerão melhor durante a leitura, prometo que é muito interessante). Muitas mortes são citadas durante a leitura e, abaixo da nota feita pelo jornal Chronicle, há pequenos depoimentos das vítimas que entregaram suas vidas para a morte natural.

O método escolhido pela autora para nos apresentar um assunto tão importante e, ao mesmo tempo, preocupante me revelou outras perspectivas de ver minha própria vida. Se você não é uma pessoa depressiva ou nunca se sentiu como os personagens descreveram suas situações, então é bem provável que o livro não tocará sua mente e seu coração tal como fizeram comigo. Mas de forma simples e bem formada, Elizabeth Haynes mais uma vez conquistou minha vida literária por abordar um dos temas mais preocupantes desta geração!

Se você já leu este thriller envolvente compartilhe conosco sua opinião, críticas e elogios sobre mais um livro instigante da escritora Elizabeth Haynes. Se você ainda não leu, então sugiro que tranque bem as portas e janelas de sua casa e mantenha sua mente sempre controlada. Nunca se sabe quem poderá persuadi-lo para um caminho totalmente inesperado.
Beijos di moça!

Elizabeth Haynes


Elizabeth começou a escrever desde pequena nos parquinhos, ganhou uma máquina de escrever de segunda mão quando tinha 13 anos que deveria ser portátil, mas pesava demais passando todos os fins se semana chuvosos em casa escrevendo. Em 2005 um amigo a apresentou ao National Novel Writing Month um concurso de 50 mil palavras. Em 2006 ela escreveu, mas acabou passando do limite e não concorrendo. Em 2008 começou a escrever sua primeira história e acabou mostrando a amigos que passou para frente e assim teve seu primeiro livro publicado. É graduada em alemão e arte na Leicester University e seus livros são fortemente influenciados por seu trabalho como analista criminal na polícia de Kent onde mora atualmente.


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