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The 100 – Os Escolhidos :: Kass Morgan

31 . dezembro . 2014

Eu não poderia passar a última quarta-feira de 2014 sem uma resenha para marcar esse fim, não é mesmo? E para concluir o ano tive a oportunidade de me aventurar em The 100 – Os escolhidos de Kass Morgan, livro que me surpreendeu e compartilho logo abaixo. Vem comigo!

The 100 – Os Escolhidos (The 100 – Book 1)
Autora: Kass Morgan
Ano: 2014
Páginas: 288
Editora: Galera Record

* Livro enviado pela editora como cortesia.

Sinopse:

Desde a terrível guerra nuclear que assolou a Terra, a humanidade passou a viver em espaçonaves a milhares de quilômetros de seu planeta natal. Mas com uma população em crescimento e recursos se tornando escassos, governantes sabem que devem encontrar uma solução. Cem delinquentes juvenis — considerados gastos inúteis para a sociedade restrita — serão mandados em uma missão extremamente perigosa: recolonizar a Terra. Essa poderá ser a segunda chance da vida deles… ou uma missão suicida.

Créditos: Skoob

Há três séculos atrás uma guerra nucelar e biológica ameaçou destruir a Terra, tornando o espaço a única opção para aqueles suficientemente afortunados para sobreviver os primeiros estágios do Cataclismo. Vivendo em uma enorme nave espacial, a Colônia, uma missão perigosa e importante está prestes a ser desenvolvida. O centro de detenções está sendo esvaziado hoje. Uma centena de criminosos sortudos vai ter a chance de fazer história. 100 deles vão para a Terra. Se tiverem sucesso, suas infrações serão perdoadas e serão capazes de começar novas vidas na Terra.

Clarke Griffin tinha sido Confinada por traição, mas a verdade era muito pior do que qualquer um poderia imaginar. Mesmo se, por algum milagre, ela fosse perdoada em seu rejulgamento, não haveria um verdadeiro indulto. De acordo com a lei da Colônia, adultos eram executados imediatamente após a condenação e menores eram confinados até completarem 18 anos, quando recebiam uma última chance de se defenderem. Clarke estava prestes a completar 18 anos e é uma das escolhidas a fazer uma visita à Terra.

Assim que Wells, filho do Chanceler Jaha, tinha descoberto que Clarke estaria entre os cem enviados à Terra, ele tivera que fazer algo para se juntar a eles. E, como o filho do Chanceler, apenas a mais pública das infrações o levaria ao confinamento. Para o Chanceler, nada poderia justificar atear fogo na Árvore do Éden, a muda que tinha sido trazida a Phoenix logo antes do Êxodo. No entanto, para Wells, aquilo não tinha sido uma escolha

Para Bellamy deixar que sua irmãzinha Octavia partisse nessa expedição sozinha era o mesmo que abandonar suas promessas e permitir que O fosse à execução. Agora ela estava recebendo uma segunda chance na vida e ele fazia questão de que ela aproveitasse. Ele iria à Terra com sua irmã e fará qualquer coisa para ser membro dessa expedição, nem que para isso precise ameaçar o Chanceler.

Glass Sorenson, ao contrário de seus colegas de Confinamento, precisa aproveitar o rebuliço causado por Bellamy e escapar dessa expedição para encontrar seu grande amor, Luke, e explicar de uma vez por todas o motivo de seu Confinamento.

Assim que os cem condenados são enviados à Terra muitas aventuras e desventuras estarão esperando por eles. Destinados à provar de que o ambiente é receptivo para começarem a recolonização, Clarke, Wells e Bellamy enfrentarão o desconhecido planeta Terra e terão que sobreviver com o que lhes foram proposto. Apesar da liberdade, será seguro estar entre 100 condenados à execução? Os cem podiam ser os primeiros humanos a chegar no planeta em três séculos, mas eles não estavam sozinhos. Alguns nunca tinham ido embora.
Não muito diferente, Glass terá que enfrentar seu passado, seu presente e até mesmo seu futuro na Colônia e os motivos que levaram o Conselho a despachar os condenados à Terra.

Preciso dizer que eu gostei muito da proposta de Kass Morgan em Os Escolhidos, primeiro livro da série. Para quem não curte enredos que se desenrolam no espaço (essa sou eu), fiquei maravilhada com o desenvolvimento e estrutura do mesmo. Narrado em terceira pessoa, cada capítulo é focado em um personagem principal (Clarke, Wells, Bellamy e Glass) de forma que, em um determinado momento, as histórias se cruzam espontaneamente. Outra característica que Kass usou foi voltar no tempo e discorrer sobre o passado de cada personagem, nos deixando a par dos acontecimentos anteriores ao presente. Esse recurso presente-passado foi muito bem sinalizado e nos permite conhecer a vida dos personagens antes de serem confinados para execução.

Nos primeiros capítulos do livro acreditei que todos os outros seriam focados na sobrevivência dos personagens na Terra mas, graças à Glass que fica na Colônia, a mistura de Terra e espaço tornou a leitura mais fluente.
Os meus capítulos preferidos, com certeza, foram os da Glass (apesar de, no começo, ela aparentar ser frágil demais) e de Bellamy (que achei ser mulher mas é um homem), mais audacioso e irônico.

Enquanto a leitura se desdobrava eu ficava mais alerta e impressionada com as conexões feitas por Kass, nos dando um gostinho de “quero o próximo livro para hoje!”. O final foi bem intencionado, nos deixando curiosos para a continuação das histórias, tanto na Terra quanto no próprio espaço.

Fico muito satisfeita com minha última leitura e resenha de 2014 e tenho o prazer de lhes recomendar a leitura para todos que gostam de uma história bem desenvolvida com personagens e cenários envolventes com gostinho de “preciso do próximo livro!”

Alguém aí já leu Os Escolhidos? Vale lembrar que há uma série homônima baseada no livro e fiquei super interessada em assistir. Pelo trailer é perceptível mudanças nas informações mas dá para encontrar semelhanças.

Espero que tenham gostado e deixem nos comentários o que vocês acharam do livro ou da série, ou se vocês ficaram interessados nos mesmos!
Beijos di moça!

Stephanie Perkins

Kass Morgan é uma escritota de fição Young Adult e autora da série The 100, livro que inspirou a série homônima. Morgan nasceu em Nova York e mora no Brooklyn. Estudou literatura no Brown e Oxford e uma fã de fição científica e romances vitorianos.


Twitter da autora | Site da Galera Record
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O Presente do Meu Grande Amor

24 . dezembro . 2014

Não tem momento mais oportuno para lançar uma resenha com doze contos de Natal do que na véspera da data festiva (ou na própria data, como queiram).
O lançamento da Intrínseca me pegou de surpresa já que não estou acostumada a ler contos e não sou fã do Natal mas foi uma surpresa surpreendente (existe isso?). Em doze contos, organizados pela Stephanie Perkins, podemos rir, chorar, sonhar e cair na real.
Confiram um pouquinho sobre esse conjunto de contos natalinos!

O Presente do Meu Grande Amor (My True Love Gave to Me: Twelve Holiday Stories)
Organizado por: Stephanie Perkins
Ano: 2014
Páginas: 350
Editora: Intrínseca

* Livro enviado pela editora como cortesia.

Sinopse:

Se você gosta do clima de fim de ano e tudo o que ele envolve, presentes, árvores enfeitadas, luzes pisca-pisca, beijo à meia-noite, vai se apaixonar pelo livro. Nestas doze histórias escritas por alguns dos mais populares autores da atualidade, há um pouco de tudo, não importa se você comemora o Natal, o Ano Novo, o Chanucá ou o solstício de inverno. Casais de formam, famílias se reencontram, seres mágicos surgem e desejos impossíveis se realizam. O pessimismo não tem lugar neste livro, afinal o Natal é época de esperança.

Créditos: Skoob

O conto é uma obra de ficção que cria um universo de seres e acontecimentos, de fantasia ou imaginação. Como todos os textos de ficção, o conto apresenta um narrador, personagens, ponto de vista e enredo.
Diz-se que o conto se define pela sua pequena extensão. Mais curto que a novela ou o romance, o conto tem uma estrutura fechada, desenvolve uma história e tem apenas um clímax. Num romance, a trama desdobra-se em conflitos secundários, o que não acontece com o conto. O conto é conciso.

Fonte: Wikipédia

“- Nem todo mundo sabe como conseguir aquilo que deseja.”

Meias-noites (Rainbow Rowell)

Mags e Noel se conhecem desde os 15 anos, na festa de ano novo no porão da casa de Alicia. Noel é um garoto magricela, pálido e alérgico a nozes e se tornou a pessoa favorita de Mags. Mas em 2014 alguma coisa mudou, um sentimento novo rompeu. Nos três anos de amizade entre eles, Mags havia passado muito tempo fingindo que não precisava de nada mais além do que Noel já lhe oferecia. Ela dizia a si mesma que havia uma diferença entre querer uma coisa e precisar… Será que realmente basta?
Conto narrado em terceira pessoa, Rainbow Rowell nos direciona para o amadurecimento da amizade entre os personagens. A história é fofa-romântica mas não me senti tão atraída pelos personagens como imaginei que aconteceria.

A dama e a raposa (Kelly Link)

Miranda é uma garota de 11 anos que passa os Natais na casa dos Honeywell. Afilhada de Elspeth – que é mãe de Daniel – a garota já se acostumou com a sala sempre repleta de adultos conversando sobre todos os assuntos nas noites de Natal. No final da festa, Miranda nota um homem no jardim parado na frente da janela, olhando para dentro da casa. Seria o Papai Noel? Daniel, do seu jeito excepcional, afirma que não sem mesmo conferir. Com o passar dos anos, Miranda se atenta sempre à janela à espera do homem misterioso. Quando finalmente o conhece, compreende que existe muito mais que regras para que ele possa aparecer apenas no Natal e quando neva. Antes garota e agora mulher, Miranda está decidida a desvendar e conhecer esse homem que tanto mexeu com seu mundo.
Narrativa em terceira pessoa, Kelly nos apresenta um mundo dividido entre realidade e magia. Confesso que não entendi muito bem sobre a magia que rodeava o tal homem mas é um conto com cenas levemente sedutoras.

Anjos na neve (Matt de La Peña)

Shy Espinoza mora em Nova York para usufruir da bolsa integral da Universidade de Nova York. Aparentemente parece que ele se deu bem na grande cidade mas a verdade é que Shy não vê a hora de morar perto de casa novamente. Nas vésperas de Natal, Shy está no apartamento novinho em folha de seu chefe, Mike, e sua esposa, Janice, para cuidar da gatinha Olive enquanto viajam. Acontece que Mike havia se esquecido de passar no caixa eletrônico antes de sair e perguntou se poderia lhe pagar quando eles voltassem da Flórida. Sem problemas, mentiu. Agora, sozinho no apartamento e na própria Nova York – a neve de 30cm proibindo a saída dos moradores às ruas – a fome e a solidão parecem arrasadoras.
É quando a vizinha do andar de cima (Haley) bate à porta com problemas no encanamento do chuveiro. Sem saber ao certo se vale a pena ou não se passar por entendedor de encanamentos, Shy resolve ir até o apartamento da vizinha. E a partir daí nasce um relacionamento de revelações e suas vidas fora de Nova York.
O conto é narrado em primeira pessoa, sob o ponto de vista de Shy, e adorei a linguagem utilizada por Matt. Os personagens são bem desenvolvidos e me comovi com a sinceridade da Haley. Não me lembro de ter lido alguma obra de Matt mas, agora, fiquei bem interessada em conhecer outros títulos do autor.

“Mas será que ela não merece alguma coisa a essa altura? Um pouco de sorte?”

Encontre-me na estrela do Norte (Jenny Han)

Natalie – ou Natty, como os duendes do Polo Norte a chamam – é uma humana que foi encontrada pelo Papai Noel há quinze natais atrás, na Coreia do Sul. Agora, vivendo ao redor de duendes, Natty precisa encontrar um parceiro na noite de Primeiro de Dezembro, para o Baile da Neve. Nesse tempo, Natty pensa se é oportuno convidar o primeiro humano que conheceu, Lars, já que Flynn – seu amigo duende lindo – já tem companhia.
Neste conto, narrado em primeira pessoa, podemos entrar em mundo totalmente mágico onde duendes e o próprio Noel são seres tangíveis e bem cativantes. Gostei deste conto por ter me tirado do mundo real e me feito imaginar como seria viver no Polo Norte com outros seres lendários.

É um milagre de Yule, Charlie Brown (Stephanie Perkins)

Marigold adorava o terreno cheio de árvores de Natal. Para começar, era mais iluminado (e talvez até mais quente) do que o apartamento onde morava, em Ashville. A visita da garota naquele terreno não era para comprar uma árvore de Natal porque suas economias estavam contadas; nem para apreciar o Garoto das Árvores de Natal (bem, um pouquinho). Estava ali porque precisava de uma coisa dele. Algo de que ela precisava e só ele podia oferecer. Ela precisava da voz dele.
Porém, para conquistar esse desejo, Marygold está preparada para puxar assunto com esse Garoto e, quem sabe, ele possa dar a ela o que tanto precisa. Mas nesse período de conversa, eles terão um encontro transformador.
Gostei do conto apresentado por Stephanie, narrado em terceira pessoa. Os personagens são mais crescidos (19 anos) e desenrolam conversas bem espontâneas. North Drummond é um personagem encantador.

Papai Noel por um dia (David Levitham)

É difícil não se sentir um pouquinho gordo quando seu namorado pede que você seja o Papai Noel. Para nosso personagem (que não nos revela seu nome), ter que se passar por Papai Noel na noite de Natal para satisfazer o desejo do namorado, Connor, é um terror. Talvez a prova viva de que exista amor. É o primeiro Natal como um casal, apesar de não o passarem exatamente juntos. Porque ele terá que se vestir de Papai Noel e encantar a noite de Riley e, quem sabe, Lana – irmãs de Connor.
Neste conto é impossível não rir das situações e pensamentos do personagem principal, já que ele se mete em muitas situações engraçads graças à irmã pentelha de Connor, Lena. David Levitham nos apresenta de forma divertida as enrascadas do personagem-sem-nome. Não tinha lido nada de David ainda mas achei bem fácil e fluente a narrativa do mesmo.

“- Não é engraçado com em um dia você espera ansioso por uma coisa, como a neve, e, no dia seguinte, torce para que ela vá embora?”

Krampuslauf (Holly Black)

Acredito que este é o conto mais porra-louca e mais macabro de todos do livro. Narrado em primeira pessoa, Hanna é uma garota que não admite que o Krampuslauf seja do jeito que é: um evento beneficente que oferece chocolate quente de graça. Transformaram a coisa toda em algo completamente contra o verdadeiro espírito de Krampusnacht, que deveria servir para deixar as pessoas apavoradas, para correr com tochas e chicotes e gritar na cara de crianças em prantos para que elas fossem boazinhas.
Krampus é uma criatura horrenda da mitologia nórdica que acompanha São Nicolau durante a época do Natal, segundo lendas de várias regiões do mundo.
Hanna tem duas grandes amigas, Wren e Penny (de Penélope) que sai com um carinha chamado Roth. Roth é um cara riquinho que merece ser punido por apresentar a todos publicamente sua namoradinha Silke. Penny, que se lamenta pela situação vivida, terá a vingança manipulada pelas amigas. Uma suposta festa de ano novo no trailer da avó-morta de Hanna será planejada para que Roth seja desmascarado e Silke conheça a verdadeira face do maledeto. A grande surpresa é um garoto fantasiado de Krampus que mudará todo o rumo da história.
Neste conto (em primeira pessoa) também temos um toque de magia, revelado quase no final, que me pegou de surpresa. Aqui já não me senti tão à vontade, talvez por tantas referências macabras da personagem. Mas quem curte personagens doidos prontos para curtir a vida, está aqui uma boa dica.

Que diabo você fez, Sophie Roth? (Gayle Forman)

Sophie nos apresenta pelo menos doze momentos “Que diabo você fez, Sophie Roth?” desde que entrou para a faculdade e está prestes a viver mais um. As provas finais haviam terminado dois dias antes mas como os voos de volta a Nova York custariam metade do preço na semana seguinte, ela precisaria ficar por lá matando o tempo. E então conhece Russel e, para sua surpresa, passa um tempo incrível com o único garoto que a entende.
Esse conto é bem leve e gostoso de ler mas não chegou a me conquistar por completo. Ainda assim foi gostoso passar um tempo com eles.

Baldes de cerveja e menino Jesus (Myra McEntire)

Pela primeira vez na vida, Vaughn está encrencado de verdade. Depois de colocar fogo no celeiro ao lado de uma igreja metodista, o pastor da mesma lhe oferece uma escolha: se ele concordasse em abrir mão do seu feriado de Natal para ajudar a igreja a remontar a peça teatral, o incidente seria eliminado dos seus registros. Durante essas quarenta horas de trabalho comunitário, Vaughn irá além de uma simples encenação ao se apaixonar pela filha do pastor.
O conto é apresentado em primeira pessoa e foi bem rápido e agradável mas não me dominou como eu imaginei que aconteceria pelo título (parece divertido, né?).

“O objetivo de uma árvore de Natal é parecer com todas as outras árvores de Natal, mas ainda ter um pouco de você nela.”

Bem-vindo a Christmas, Califórnia (Kirsten White)

Este, sem sombra de dúvida, foi meu conto preferido. Muito bem escrito, com personagens cativantes e cheio de magia em um mundo catastrófico.
Maria mora em uma região censitária. Em Christmas (na Califórnia) não há o que se esperar e nem o que dar em troca, por isso ela não vê a hora de sair dali. Sua mãe e seu padastro trabalham na mina enquanto ela oferece sua mão-de-obra no Christmas Cafe. O salário é destinado para as despesas, os clientes são entediantes e nem ao menos oferecem uma gorjeta.
Mas quando Ben ocupa o cargo de cozinheiro da cafeteria, a magia invade o ambiente e transforma qualquer coração em sonho e esperança.
O conto é simplesmente lindo, cheio de significados e carregado de família. Adoro quando a família é foco principal. As situações tristes e perturbadoras de alguns personagens me deixaram com o coração na mão mas a transformação que Ben consegue causar no cenário é bem emocionante. Foi neste conto que finalmente me joguei em lágrimas.

Estrela de Belém (Aly Carter)

No aeroporto de Chicago, O’Hare, cinco dias antes do Natal, Hulda está implorando para a balconista deixá-la embarcar no voo para Nova York. O problema é que sua passagem não é para lá mas, se precisasse mesmo, poderia comprar outra passagem para o voo da manhã.
Analisando a situação de longe, Liddy resolve trocar de passagem com Hulda, uma total estranha com destino para qualquer lugar. Ao fazer a troca, Liddy desembarca em Oklahoma, em lugar algum, do jeito que pretendia. Mas ao conhecer a família de Ethan, o namorado de Hulda, todo o mundo criado por Liddy desaba para criar outro cheio de amor e afeto.
Adorei esse conto também, já que envolve família e é carregado de sentimentalismo. Ethan é um adolescente adorável e bem-humorado. Gostei também da revelação de identidade da Liddy.

A garota que despertou o Sonhador (Laini Taylor)

Este foi um dos contos mais confusos e ao mesmo tempo com a fantasia mais atraente, finalizando os contos do livro. Na Ilha das Penas, é tradição os homens deixarem presentinhos para suas amadas em cada um dos vinte e quatro dias do Advento. Mas para Neve não há muita comoção ou esperança, já que não se enxerga como alguém atraente para um pretendente. Levadas para lá doze anos antes, Neve é órfã da peste que assolou a Colônia Fracassada, comprada para trabalhar duro na fábrica. Uma vida precária que exige apresenta uma saída: casar-se com alguém de bem.
Infelizmente existe um pretendente: o reverendo Spears, um homem insuportável com seus sermões horrendos. Sem saber o que fazer, Neve conjura Wisha para lhe proteger das garras do reverendo.
É muito interesante a magia que surge ao redor do Sonhador e de tudo o que acontece quando este acorda a pedido de Neve. O amor que nasce entre um deus e uma humana é possível e cheio de força. O único conto que foge do conceito de Natal que compartilhamos.

“Mas as pessoas não precisam lembrar como era ser feliz e seguro no passado. Elas precisam ter esperança de que podem chegar lá outra vez, no futuro.”

Uma análise geral dos contos me permite dizer que o livro é bem receptivo e atende bem às características de conto (descritas acima). Leitura recomendada nos dias que antecedem o Natal, os contos adquirem mais força e significado quando lidos no clima natalino. Não importa sua religião ou crença porque os contos apresentam diversos conceitos de Natal: judaico, pagão, cristão. Eu, que não sou fã de Natal, fiquei encantada, emocionada e sonhadora ao ler cada conto e o mundo ao qual eles me levaram. Queria ser inserida em cada um deles e vivenciar o Natal apresentado por cada autor.
Todos os contos envolvem afeto e carisma nos relacionamentos, sejam os amorosos, familiares ou próprios. O amor é tema sólido e nos possibilita sonhar com a magia e as mudanças que só o Natal pode ceder.

Gostei muito da experiência que tive durante os doze contos natalinos e recomendo a todos que precisam e desejam fugir um pouco da realidade de doze formas diferentes e fascinantes.
Quem já leu, compartilhe aqui nos comentários qual conto te conquistou plenamente?
Beijos di moça!

Stephanie Perkins

Stephanie Perkins sempre trabalhou com livros – primeiro como vendedora, depois como bibliotecária e agora como romancista. Adora café moca, contos de fadas, música alta, caminhadas na vizinhança, chá de jasmim e tirar sonecas à tarde. E beijar. Stephanie e seu marido moram nas montanhas do norte da Califórnia.


Site da autora Site da Intrínseca
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Austenlândia :: Shannon Hale

03 . dezembro . 2014

Você já pensou se pudesse adentrar no mundo do seu livro/autor preferido? Shannon Hale, autora de Academia de Princesas nos apresenta seu primeiro romance para o público jovem/adulto com a protagonista Jane Hayes, obcecada pelo Sr. Darcy – personagem criado pela aclamada Jane Austen.
Confiram a resenha deste romance super prazeroso e identifique-se com Jane (a Hayes).

Austenlândia (Austenland)
Autora: Shannon Hale
Ano: 2014
Páginas: 240
Editora: Record

* Livro enviado pela editora como cortesia.

Sinopse:

Jane Hayes tem 33 anos e mora na Nova York atual. Bonita, inteligente e com um bom emprego, ela guarda um um segredo constrangedor: é verdadeiramente obcecada pelo Sr. Darcy. Embora sonhe com ele, os homens reais com os quais se depara são muito diferentes dos que habitam sua fantasia. Justamente por isso, ela decide deixar de lado sua vida amorosa e aceitar seu destino: noites solitárias aconchegada no sofá assistindo a Colin Firth em seu DVD. Porém, esses não são os planos que sua rica e velha tia-avó Carolyn, tem para a moça. A única a descobrir o segredo de Jane deixa, em seu testamento, férias pagas para a sobrinha-neta na Austenlândia. A ideia é que Jane tenha uma legítima experiência como uma dama no início do século XX e consiga se livrar de uma vez por todas de sua obsessão. Contudo, para isso, ela terá que abrir mão do celular, da internet e até do uso de sutiãs em troca de tardes de leitura, espartilhos e… a companhia de belos cavalheiros.

Créditos: Skoob

Jane Hayes, aos seus 33 anos, mora em Manhattan, é designer gráfico de uma revista e leva uma vida como todas as mulheres de sua idade a não ser pelo seu segredo. Durante o dia, ela se ocupa e almoça e manda e-mails e trabalha até mais tarde e chega em cima da hora, mas às vezes, quando tem tempo de tirar os sapatos de salto comprados em um bazar e relaxar no sofá de segunda mão, ela diminui a luz, liga a TV e confessa o que está faltando.
Às vezes, ela vê Orgulho e Preconceito.
Você sabe, a versão dupla da BBC em DVD, com Colin Firth no papel do delicioso Sr. Darcy e aquela bela atriz inglesa de seios fartos como a Elizabeth Bennet que sempre imaginamos.
Para muitos de nós, leitores, ser fã de um personagem fictício é comum – a gente até cria situações imaginárias onde estamos casados com eles, com filhos e bem de vida. Mas é sério, uma mulher de 30 e poucos anos não deveria sonhar acordada com um personagem fictício de um mundo de 200 anos de idade a ponto de influenciar sua vida e seus relacionamentos muito reais e muito mais importantes. É claro que não deveria. Até sua tia-avó Carolyn parece deixar isso bem claro na sua primeira visita à Jane.

“Descubra o que é real pra você. Não adianta se apoiar na história de outra pessoa a vida toda.”

Mas infelizmente, depois de alguns meses do encontro das duas, tia Carolyn morre. Jane não conheceu Carolyn o bastante para sofrer com o luto, só para se sentir sensível e perplexa com a ideia da morte dela. Todavia, o que surpreende Hayes é saber que seu nome está no testamento da Carolyn também. O que ela deixaria para uma parente quase estranha? Carolyn tinha uma família numerosa, então a quantia não podia ser grande, mas, por outro lado, os boatos da riqueza de sua tia-avó eram lendários.
O que Jane vai descobrir ao conversar com o advogado da Carolyn é que a cliente foi…eclética… no testamento. Ela fez compras para alguns amigos e parentes e deixou a maior parte do dinheiro para instituições de caridade. Para Hayes, ela planejou férias.

Pembrook Park, Kent, Inglaterra. Entre por nossas portas como um convidado que veio passar três semanas a fim de apreciar as maneiras do campo e a hospitalidade – uma visita para o chá, uma dança ou duas, uma volta no jardim, um encontro inesperado com um certo cavalheiro, tudo culminando em um baile e talvez algo mais…

Aqui, o príncipe regente ainda governa uma Inglaterra tranquila. Se roteiro. Sem final escrito. Férias como ninguém mais pode oferecer.”

Resumindo: são férias de três semanas com tudo incluso na Inglaterra. Você se fantasia e finge ser alguém de 1816. Vem também com uma passagem de avião de primeira classe. As férias não podem ser canceladas e o dinheiro não pode ser devolvido. A pergunta agora é Jane deve ir?.
Voltando no passado de Jane, acompanhamos uma trajetória amorosa engraçada e até sofrida. Por que não se aventurar no faz-de-conta Regencial vivido por sr. Darcy e Elizabeth Bennet? Estava tudo decidido: Jane faria uma última excentricidade antes de desistir completamente dos homens. Ela viveria sua fantasia, se divertiria loucamente e enterraria tudo de vez. Nada mais de Darcy. Nada mais de homens, ponto final. Quando ela chegasse em casa, se tornaria uma mulher perfeitamente normal, feliz por estar solteira feliz consigo mesma.
Até jogaria fora os DVDs.

“- Nunca entendi as mulheres que vêm aqui, e você é uma delas. Não consigo entender.
– Acho que eu não poderia explicar isso pra um homem. Se você fosse mulher, eu só precisaria dizer ‘Colin Firth de camisa molhada’ e você diria ‘Ah’.”

Ao entrar neste mundo tentador onde tudo é possível -dentro das regras da época – nossa srta. Jane Erstwhile (até o nome muda, sabe como é, para entrar no clima) terá a oportunidade de usar espartilhos, calçolas, vestidos de gala e conhecer personagens de mesma valia, como a sua tia Saffronia e seu marido John Templeton, que há muito não viam sua sobrinha. Temos também as senhoritas Elizabeth Charming, de Hertfordshire e Amelia Heartwright. Claro que os cavalheiros não podem ficar de fora, são chaves mestras nesse mundo. Ao conhecer o sr. Nobley, o coronel Andrews e o capitão Tent tudo fica ainda mais divertido.
Mas até onde e quando é possível diferencia o real de um mundo de atuações, brincadeiras e mentiras? A partir daí temos uma Jane Hayes do século XXI dentro de uma Inglaterra de 1816. Ao entrar nesta terra dos contos de fadas nossa protagonista pensará estar em um lugar seguro onde andar, arrumar problemas, entender a situação e sair sem arranhões. Será mesmo que para nossa amada Jane é possível?

“Aqui estava ela em Pembrook Park, um lugar onde mulheres pagam montanhas de dinheiro para andar com homens contratados para idolatrá-las, mas ela encontra o único homem no local que está em posição de rejeitá-la e o leva a fazer isso. Típico de Jane.”

Antes de continuar preciso dizer (com alguma vergonha na cara) que ainda não li Orgulho e Preconceito. Tá bom, podem me julgar mas tenho meus motivos. Se servir de alguma coisa, eu assisti ao filme – versão Matthew MacFadyen e Keira Knightley.
Mas é claro que eu também gostaria de conhecer um tal sr. Darcy.
Quando conhecemos Jane e sua obsessão por sr. Darcy fica impossível você não se identificar com a personagem. Vai me dizer que você nunca se viu sonhando acordada com seu personagem de livro favorito? Ah tá. Quando Hayes tem a oportunidade de vivenciar um mundo parecido com o qual ela sonha, a leitura fica mais envolvente. Torcemos e vibramos para que Jane se encontre de alguma forma nessas férias. Claro que existem vários obstáculos que surgem no decorrer da leitura e isso torna as páginas mais rápidas e pitorescas.
Jane vai ter que entrar no papel de Srta. Earstwhile de qualquer jeito e encarar todos os outros personagens da mesma forma. É de se admirar como as pessoas conseguem encarnar uma fantasia quando precisam.
Shannon Hale nos traz, de forma alegre e divertida, uma personagem fascinante que me conquistou com suas ironias e situações quase bizarras ao lidar com os cavalheiros regenciais.

“O Sr. Darcy não existia, o homem perfeito não existia. Mas talvez houvesse alguém. E ela estaria pronta.”

Independente se você já leu Orgulho e Preconceito ou não, recomendo essa leitura leve e dinâmica, ambientada em uma Inglaterra que só Jane Hayes poderia pintar de forma espirituosa. A narrativa em terceira pessoa nos aproxima da protagonista sob o ponto de vista da autora, o que proporcionou uma leitura bem fluente e sem interrupções toscas.
A série Austenlândia é composta por dois livros, sendo este o primeiro. Vamos esperar o segundo livro (Midnight in Austenland) pela Record!

Quem já leu este romance cordial e deleitoso? O que acharam? Compartilhem suas opiniões através dos comentários!
Beijos di moça!

Shannon Hale

Shannon Hale é uma escritora americana de fantasia jovem adulto (young adult) e ficção adulta; autora de dez romances, incluindo o best-seller “Academia de Princesa” – que ganhou o prêmio Newbery Honor -, os livros da série “Bayern”, dois romances para adultos e dois romances gráficos que ela e o marido são co- escritores.
Começou a escrever aos nove anos de idade e não parou; seus trabalhos mais notáveis foram: “Academia de Princesa”, “Goose Girl” e “Book Of A Thousand Days”.
Hoje, Shannon vive com seu marido e seus dois filhos pequenos em South Jordan, Utah.


Site da autora | Site Grupo Record
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Restos Humanos :: Elizabeth Haynes

18 . junho . 2014

Confesso desde já que esta foi uma resenha muito difícil de ser compartilhada. Pois, como indicar uma de suas autoras favoritas no gênero thriller/suspense levando em conta apenas o enredo em sim? Muito difícil. Por isso, peço que leia a resenha até o final para que entendam a nota e os aspectos considerados durante a leitura de Restos Humanos, de Elizabeth Haynes, lançado pela Intrínseca em março deste ano!

Restos Humanos (Human Remains)
Autora: Elizabeth Haynes
Ano: 2014
Páginas: 320
Editora: Intrínseca

* Livro enviado pela editora como cortesia.

Sinopse:

Você conhece bem seus vizinhos? Saberia dizer se eles estão vivos ou mortos? Ao encontrar por acaso o corpo de uma vizinha em avançado estado de decomposição, Annabel Hayer, que trabalha com análise de informações para a polícia, fica horrorizada ao pensar que ninguém — e isso inclui ela mesma — sentiu falta daquela mulher. De volta ao trabalho, ela vasculha os arquivos policiais e encontra dados que mostram um aumento significativo de casos como aquele nos últimos meses em sua cidade. Conforme aprofunda a investigação, Annabel parece cada vez mais convencida de estar no rastro de um assassino, e é obrigada a enfrentar os próprios demônios e a própria fragilidade. Será que alguém perceberia se ela simplesmente desaparecesse? Um thriller psicológico extremamente perturbador, Restos humanos fala de nossos medos mais obscuros, mostrando como somos vulneráveis — e a facilidade com que vidas podem ser destruídas quando não há ninguém que se importe com elas.

Créditos: Skoob

Uma das características que me impedem de desenvolver a resenha em ordem cronológica e de fato como a história é, são os pontos e detalhes que a autora vai liberando ao decorrer da leitura e estas podem se tornar spoiler dos grandes. Então o que posso dizer, em suma, é que a história nos é apresentada sob três diferentes pontos de vista:

Annabel Hayer é uma mulher de meia-idade que mora com sua gata Lucy em Briarstone. A verdade é que Annabel não tem muitas características envolventes. Digo, a mulher mora sozinha (tudo bem, com sua gata), trabalha no distrito federal (no setor de Inteligência) e nem mesmo seus colegas de mesa de trabalho se atentam à ela. Talvez isso fosse perturbar metade das mulheres de quase 40 anos de idade mas Annabel até que está acostumada com sua vida/rotina. Porém – sempre tem um porém – a vida da mulher se destaca por algumas horas quando, por motivos de curiosidade – e instinto, talvez? – descobre o corpo de Shelley Burton, 43 anos, em decomposição na própria sala de estar.

“Morte suspeita
Aproximadamente, às 20h32 de sexta-feira, uma unidade de patrulha foi deslocada para um endereço na New Market Street, Biarstone. A vizinha sentiu um cheiro forte vindo do endereço em questão e entrou na casa, descobrindo os restos em decomposição de uma mulher na sala de estar. A falecida teve a idade estimada em 43 anos e morava naquele endereço. Parentes mais próximos foram informados. A Delegacia de Homicídios esteve presente no local e, embora as investigações ainda estejam em curso, acredita-se que não havia circunstâncias suspeitas. (Briarstone Chronicle)
(…)
Policiais foram chamados até uma casa em Newmarket Street, em Briarstone, sexta-feira passada e ficaram chocados ao encontrar o corpo de Shelley Burton, 43 anos, na sala de sua residência. A Sra. Burton morava sozinha e não era vista havia alguns meses.”
(Briarstone Chronicle)

No final das contas, Annabel devia ter se afastado. Devia ter voltado para casa e trancado a porta, sem pensar mais naquilo tudo. Afinal, o problema não era dela, não é mesmo? Mas, já tendo praticamente arrombado a casa, sentindo aquele cheiro fétido no interior, achou que poderia muito bem terminar o que começara e ver se havia alguém lá dentro.
A partir da descoberta do corpo já horrendo de Shelley, a curiosidade e pesquisas de Annabel nos apresenta outros números mais assustadores de casos de pessoas que, aparentemente moravam sozinhas, e foram encontradas em estado de decomposição (putrefação) em seus próprios lares. Tal preocupação também se torna interesse do jornal Briarstone Chronicle e do reporter sênior Sam Everett, que delicadamente vai em busca de Annabel para obter mais informações e, juntos, desmistificarem os casos – já que estes não apresentam qualquer sinal de violência ou morte aparente.

“É um triste sintoma da nossa sociedade que tantas pessoas de nossa comunidade não conheçam seus vizinhos, ou que prefiram acreditar que outras pessoas deveriam se preocupar, que outras pessoas sabem onde estão, os outros que assumam a responsabilidade. Mas, na verdade, essas outras pessoas não existem.”
(Briarstone Chronicle – Outubro)

Para Colin Friedland, nos seus trinta e poucos anos, funcionário do departamento de tecnologia da informação do conselho municipal, acredita que todos esses acontecimentos são circunstâncias que ajudaram as pessoas a escaparem do peso de suas vidas que vinham levando até então. Mas o que mais ele poderia saber? Seu foco principal está sempre nos estudos, tendo visto como desafio um curso de “PNL e técnicas de análise comportamental para negócios e interação social”.

“- Só acho que é uma pena – falei. – Estar morta por tanto tempo e ninguém sabe que você se foi.”

A partir destes três pontos de vista (Annabel, Colin e o próprio jornal Briarstone Chronicle), nos aventuramos em altos números e enigmas de pessoas encontradas em estado de decomposição em suas próprias casas e sozinhas. Mas estes não foram motivos suficientes para interromper as pesquisas de Annabel e atrair a atenção de diversos setores policiais dentro do distrito de Briarstone (inclusive, o próprio jornal Chronicle). A preocupação com possíveis moradores sozinhos se tornam alvos de manchetes e campanhas de jornais, instigando uns aos outros a conferirem como estão seus próprios vizinhos e se existem atividades incomuns entre eles durante certo período de tempo.
Porém é claro que, quando a morte está pronta para abraçar alguém, nada e ninguém é páreo para deter o inevitável.

Desde a descoberta do corpo de Shelley, a polícia tem encontrado outros corpos em decomposição há meses e a pergunta é: tudo seria mero acaso ou há um assassino tramando todos os eventos e consequências dos mesmos? Annabel é a nossa protagonista que, por azar, se revelará vítima e perseguidora do verdadeiro culpado e conspirador de todas essas mortes “aparentemente” sem precedentes mas que são arquitetadas com esmero e talentos.

“Era como se meu corpo já tivesse morrido e apenas esperasse minha mente alcançá-lo. E talvez a nuvem negra seja isso, afinal de contas. (…). E tantos de nós ainda estamos perambulando pelo mundo, mas estamos simplesmente mortos por causa da nuvem dentro, fora de nós, ao nosso redor.”

Assim como em No Escuro (ainda o melhor livro da Elizabeth que li), a autora nos apresenta os personagens principais e também o verdadeiro assassino/culpado/criminoso/etc. logo nos primeiros capítulos da leitura e com muita facilidade. Ou seja, não dá tempo para “bancarmos” verdadeiros detetives. No livro No Escuro tal característica não prejudicou a leitura, pelo contrário, fiquei mais compelida a conhecer o fim que um ser inescrupuloso levaria.
Já em Restos Humanos, ao sermos apresentados quase imediatamente ao protagonista com distúrbios e pensamentos delirantes em determinados momentos, a leitura pode se tornar um pouco previsível. Mas nada disso torna a leitura cansativa ou insuportável. Devo ressaltar que, em Restos Humanos, a tensão por você (leitor) ser a única pessoa a conhecer o conspirador de todas as destruições humanas te deixa roendo as unhas até arrancar as cutículas dos dedos do pé.

A busca constante por referências e notas sobre os assuntos mencionados no livro são expostos através de narrativas e insights de alguns personagens. São características que encontramos em ambos os livros e não posso negar que a autora merece os créditos pela busca de referências sobre o assunto.

“Não conheço ninguém que esteja tão à vontade com o conceito de morte quanto eu. Todas essas pessoas, e tantas outras por aí afora, que estão cansadas, doentes e deprimidas… e o que nós fazemos com ela? Pagamos tratamentos médicos demorados e invasivos às custas daqueles que cuidam dos nossos corpos e assim permanecemos em forma e saudáveis. Ou então simplesmente as colocamos em asilos, com gastos ainda maiores, onde elas não têm mais a opção de pôr um fim a tudo por conta própria. Estamos tratando nossos vizinhos de forma pavorosa. Nós os deixamos morrer gradualmente durante meses, anos até, quando tudo do que precisam é de alguém que lhes diga que está tudo bem, que, se quiserem ir embora, podem ir. Que é fácil, simples e pode ser indolor. Podem escolher esses caminhos se assim quiserem. E Deus sabe quantos deles fazem isso, diante das alternativas que lhes restam! Tudo o que fiz foi mostrar a essas pessoas que elas podem escolher esse caminho. Poderiam ter escolhido outro se assim desejassem. Mas não o fizeram. Escolheram morrer.”

Falando sobre o tema, a autora destaca a preocupação sobre a vida de pessoas que vivem sozinhas, principalmente nos Estados Unidos, que estão à mercê de serem esquecidas e nem serem notadas pelos próprios vizinhos. Também temos como tópicos importantes a depressão, a desmotivação pela vida e a falta de propósito da mesma por acontecimentos trágicos e/ou que tornam o ser humano impotentes.

Confesso que jamais tinha ouvido/lido falar sobre a morte indolor até o momento de o corpo chegar no estado de decomposição (isso vocês conhecerão melhor durante a leitura, prometo que é muito interessante). Muitas mortes são citadas durante a leitura e, abaixo da nota feita pelo jornal Chronicle, há pequenos depoimentos das vítimas que entregaram suas vidas para a morte natural.

O método escolhido pela autora para nos apresentar um assunto tão importante e, ao mesmo tempo, preocupante me revelou outras perspectivas de ver minha própria vida. Se você não é uma pessoa depressiva ou nunca se sentiu como os personagens descreveram suas situações, então é bem provável que o livro não tocará sua mente e seu coração tal como fizeram comigo. Mas de forma simples e bem formada, Elizabeth Haynes mais uma vez conquistou minha vida literária por abordar um dos temas mais preocupantes desta geração!

Se você já leu este thriller envolvente compartilhe conosco sua opinião, críticas e elogios sobre mais um livro instigante da escritora Elizabeth Haynes. Se você ainda não leu, então sugiro que tranque bem as portas e janelas de sua casa e mantenha sua mente sempre controlada. Nunca se sabe quem poderá persuadi-lo para um caminho totalmente inesperado.
Beijos di moça!

Elizabeth Haynes


Elizabeth começou a escrever desde pequena nos parquinhos, ganhou uma máquina de escrever de segunda mão quando tinha 13 anos que deveria ser portátil, mas pesava demais passando todos os fins se semana chuvosos em casa escrevendo. Em 2005 um amigo a apresentou ao National Novel Writing Month um concurso de 50 mil palavras. Em 2006 ela escreveu, mas acabou passando do limite e não concorrendo. Em 2008 começou a escrever sua primeira história e acabou mostrando a amigos que passou para frente e assim teve seu primeiro livro publicado. É graduada em alemão e arte na Leicester University e seus livros são fortemente influenciados por seu trabalho como analista criminal na polícia de Kent onde mora atualmente.


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