categoria2 category image

Restos Humanos :: Elizabeth Haynes

18 . junho . 2014

Confesso desde já que esta foi uma resenha muito difícil de ser compartilhada. Pois, como indicar uma de suas autoras favoritas no gênero thriller/suspense levando em conta apenas o enredo em sim? Muito difícil. Por isso, peço que leia a resenha até o final para que entendam a nota e os aspectos considerados durante a leitura de Restos Humanos, de Elizabeth Haynes, lançado pela Intrínseca em março deste ano!

Restos Humanos (Human Remains)
Autora: Elizabeth Haynes
Ano: 2014
Páginas: 320
Editora: Intrínseca

* Livro enviado pela editora como cortesia.

Sinopse:

Você conhece bem seus vizinhos? Saberia dizer se eles estão vivos ou mortos? Ao encontrar por acaso o corpo de uma vizinha em avançado estado de decomposição, Annabel Hayer, que trabalha com análise de informações para a polícia, fica horrorizada ao pensar que ninguém — e isso inclui ela mesma — sentiu falta daquela mulher. De volta ao trabalho, ela vasculha os arquivos policiais e encontra dados que mostram um aumento significativo de casos como aquele nos últimos meses em sua cidade. Conforme aprofunda a investigação, Annabel parece cada vez mais convencida de estar no rastro de um assassino, e é obrigada a enfrentar os próprios demônios e a própria fragilidade. Será que alguém perceberia se ela simplesmente desaparecesse? Um thriller psicológico extremamente perturbador, Restos humanos fala de nossos medos mais obscuros, mostrando como somos vulneráveis — e a facilidade com que vidas podem ser destruídas quando não há ninguém que se importe com elas.

Créditos: Skoob

Uma das características que me impedem de desenvolver a resenha em ordem cronológica e de fato como a história é, são os pontos e detalhes que a autora vai liberando ao decorrer da leitura e estas podem se tornar spoiler dos grandes. Então o que posso dizer, em suma, é que a história nos é apresentada sob três diferentes pontos de vista:

Annabel Hayer é uma mulher de meia-idade que mora com sua gata Lucy em Briarstone. A verdade é que Annabel não tem muitas características envolventes. Digo, a mulher mora sozinha (tudo bem, com sua gata), trabalha no distrito federal (no setor de Inteligência) e nem mesmo seus colegas de mesa de trabalho se atentam à ela. Talvez isso fosse perturbar metade das mulheres de quase 40 anos de idade mas Annabel até que está acostumada com sua vida/rotina. Porém – sempre tem um porém – a vida da mulher se destaca por algumas horas quando, por motivos de curiosidade – e instinto, talvez? – descobre o corpo de Shelley Burton, 43 anos, em decomposição na própria sala de estar.

“Morte suspeita
Aproximadamente, às 20h32 de sexta-feira, uma unidade de patrulha foi deslocada para um endereço na New Market Street, Biarstone. A vizinha sentiu um cheiro forte vindo do endereço em questão e entrou na casa, descobrindo os restos em decomposição de uma mulher na sala de estar. A falecida teve a idade estimada em 43 anos e morava naquele endereço. Parentes mais próximos foram informados. A Delegacia de Homicídios esteve presente no local e, embora as investigações ainda estejam em curso, acredita-se que não havia circunstâncias suspeitas. (Briarstone Chronicle)
(…)
Policiais foram chamados até uma casa em Newmarket Street, em Briarstone, sexta-feira passada e ficaram chocados ao encontrar o corpo de Shelley Burton, 43 anos, na sala de sua residência. A Sra. Burton morava sozinha e não era vista havia alguns meses.”
(Briarstone Chronicle)

No final das contas, Annabel devia ter se afastado. Devia ter voltado para casa e trancado a porta, sem pensar mais naquilo tudo. Afinal, o problema não era dela, não é mesmo? Mas, já tendo praticamente arrombado a casa, sentindo aquele cheiro fétido no interior, achou que poderia muito bem terminar o que começara e ver se havia alguém lá dentro.
A partir da descoberta do corpo já horrendo de Shelley, a curiosidade e pesquisas de Annabel nos apresenta outros números mais assustadores de casos de pessoas que, aparentemente moravam sozinhas, e foram encontradas em estado de decomposição (putrefação) em seus próprios lares. Tal preocupação também se torna interesse do jornal Briarstone Chronicle e do reporter sênior Sam Everett, que delicadamente vai em busca de Annabel para obter mais informações e, juntos, desmistificarem os casos – já que estes não apresentam qualquer sinal de violência ou morte aparente.

“É um triste sintoma da nossa sociedade que tantas pessoas de nossa comunidade não conheçam seus vizinhos, ou que prefiram acreditar que outras pessoas deveriam se preocupar, que outras pessoas sabem onde estão, os outros que assumam a responsabilidade. Mas, na verdade, essas outras pessoas não existem.”
(Briarstone Chronicle – Outubro)

Para Colin Friedland, nos seus trinta e poucos anos, funcionário do departamento de tecnologia da informação do conselho municipal, acredita que todos esses acontecimentos são circunstâncias que ajudaram as pessoas a escaparem do peso de suas vidas que vinham levando até então. Mas o que mais ele poderia saber? Seu foco principal está sempre nos estudos, tendo visto como desafio um curso de “PNL e técnicas de análise comportamental para negócios e interação social”.

“- Só acho que é uma pena – falei. – Estar morta por tanto tempo e ninguém sabe que você se foi.”

A partir destes três pontos de vista (Annabel, Colin e o próprio jornal Briarstone Chronicle), nos aventuramos em altos números e enigmas de pessoas encontradas em estado de decomposição em suas próprias casas e sozinhas. Mas estes não foram motivos suficientes para interromper as pesquisas de Annabel e atrair a atenção de diversos setores policiais dentro do distrito de Briarstone (inclusive, o próprio jornal Chronicle). A preocupação com possíveis moradores sozinhos se tornam alvos de manchetes e campanhas de jornais, instigando uns aos outros a conferirem como estão seus próprios vizinhos e se existem atividades incomuns entre eles durante certo período de tempo.
Porém é claro que, quando a morte está pronta para abraçar alguém, nada e ninguém é páreo para deter o inevitável.

Desde a descoberta do corpo de Shelley, a polícia tem encontrado outros corpos em decomposição há meses e a pergunta é: tudo seria mero acaso ou há um assassino tramando todos os eventos e consequências dos mesmos? Annabel é a nossa protagonista que, por azar, se revelará vítima e perseguidora do verdadeiro culpado e conspirador de todas essas mortes “aparentemente” sem precedentes mas que são arquitetadas com esmero e talentos.

“Era como se meu corpo já tivesse morrido e apenas esperasse minha mente alcançá-lo. E talvez a nuvem negra seja isso, afinal de contas. (…). E tantos de nós ainda estamos perambulando pelo mundo, mas estamos simplesmente mortos por causa da nuvem dentro, fora de nós, ao nosso redor.”

Assim como em No Escuro (ainda o melhor livro da Elizabeth que li), a autora nos apresenta os personagens principais e também o verdadeiro assassino/culpado/criminoso/etc. logo nos primeiros capítulos da leitura e com muita facilidade. Ou seja, não dá tempo para “bancarmos” verdadeiros detetives. No livro No Escuro tal característica não prejudicou a leitura, pelo contrário, fiquei mais compelida a conhecer o fim que um ser inescrupuloso levaria.
Já em Restos Humanos, ao sermos apresentados quase imediatamente ao protagonista com distúrbios e pensamentos delirantes em determinados momentos, a leitura pode se tornar um pouco previsível. Mas nada disso torna a leitura cansativa ou insuportável. Devo ressaltar que, em Restos Humanos, a tensão por você (leitor) ser a única pessoa a conhecer o conspirador de todas as destruições humanas te deixa roendo as unhas até arrancar as cutículas dos dedos do pé.

A busca constante por referências e notas sobre os assuntos mencionados no livro são expostos através de narrativas e insights de alguns personagens. São características que encontramos em ambos os livros e não posso negar que a autora merece os créditos pela busca de referências sobre o assunto.

“Não conheço ninguém que esteja tão à vontade com o conceito de morte quanto eu. Todas essas pessoas, e tantas outras por aí afora, que estão cansadas, doentes e deprimidas… e o que nós fazemos com ela? Pagamos tratamentos médicos demorados e invasivos às custas daqueles que cuidam dos nossos corpos e assim permanecemos em forma e saudáveis. Ou então simplesmente as colocamos em asilos, com gastos ainda maiores, onde elas não têm mais a opção de pôr um fim a tudo por conta própria. Estamos tratando nossos vizinhos de forma pavorosa. Nós os deixamos morrer gradualmente durante meses, anos até, quando tudo do que precisam é de alguém que lhes diga que está tudo bem, que, se quiserem ir embora, podem ir. Que é fácil, simples e pode ser indolor. Podem escolher esses caminhos se assim quiserem. E Deus sabe quantos deles fazem isso, diante das alternativas que lhes restam! Tudo o que fiz foi mostrar a essas pessoas que elas podem escolher esse caminho. Poderiam ter escolhido outro se assim desejassem. Mas não o fizeram. Escolheram morrer.”

Falando sobre o tema, a autora destaca a preocupação sobre a vida de pessoas que vivem sozinhas, principalmente nos Estados Unidos, que estão à mercê de serem esquecidas e nem serem notadas pelos próprios vizinhos. Também temos como tópicos importantes a depressão, a desmotivação pela vida e a falta de propósito da mesma por acontecimentos trágicos e/ou que tornam o ser humano impotentes.

Confesso que jamais tinha ouvido/lido falar sobre a morte indolor até o momento de o corpo chegar no estado de decomposição (isso vocês conhecerão melhor durante a leitura, prometo que é muito interessante). Muitas mortes são citadas durante a leitura e, abaixo da nota feita pelo jornal Chronicle, há pequenos depoimentos das vítimas que entregaram suas vidas para a morte natural.

O método escolhido pela autora para nos apresentar um assunto tão importante e, ao mesmo tempo, preocupante me revelou outras perspectivas de ver minha própria vida. Se você não é uma pessoa depressiva ou nunca se sentiu como os personagens descreveram suas situações, então é bem provável que o livro não tocará sua mente e seu coração tal como fizeram comigo. Mas de forma simples e bem formada, Elizabeth Haynes mais uma vez conquistou minha vida literária por abordar um dos temas mais preocupantes desta geração!

Se você já leu este thriller envolvente compartilhe conosco sua opinião, críticas e elogios sobre mais um livro instigante da escritora Elizabeth Haynes. Se você ainda não leu, então sugiro que tranque bem as portas e janelas de sua casa e mantenha sua mente sempre controlada. Nunca se sabe quem poderá persuadi-lo para um caminho totalmente inesperado.
Beijos di moça!

Elizabeth Haynes


Elizabeth começou a escrever desde pequena nos parquinhos, ganhou uma máquina de escrever de segunda mão quando tinha 13 anos que deveria ser portátil, mas pesava demais passando todos os fins se semana chuvosos em casa escrevendo. Em 2005 um amigo a apresentou ao National Novel Writing Month um concurso de 50 mil palavras. Em 2006 ela escreveu, mas acabou passando do limite e não concorrendo. Em 2008 começou a escrever sua primeira história e acabou mostrando a amigos que passou para frente e assim teve seu primeiro livro publicado. É graduada em alemão e arte na Leicester University e seus livros são fortemente influenciados por seu trabalho como analista criminal na polícia de Kent onde mora atualmente.


Site da autora | Facebook da Intrínseca


• Hey! Deixe um comentário aqui •

• Temos 15 comentários nesta postagem" •

Fabi, disse: - 18-06-2014 (20:40)

Oi Jeh como vai: (;
Bem, a julgar pela resenha o livro parece oferecer boa leitura. Faz muito tempo que não leio suspense. Amo romance e geralmente nunca saio dessa linda hahaha
Bjos


Angélica Anicésio, disse: - 18-06-2014 (21:45)

Oie, Jeh.
Parece ser um livro muito bom!! Quase não leio livros nesse sentido, mas esse parece ser super envolvente.
Sem contar essas fotos, que encantam qualquer olhinho amante de livros! <3
Beijos


Bruna, disse: - 19-06-2014 (09:24)

Não conhecia essa autora… pra ser sincera, não li muitos suspenses, mas inevitavelmente despertou a vontade! Acho que vou arriscar… =*


Jessica, disse: - 19-06-2014 (10:15)

Menina há quanto tempo não venho por aqui hein? hehe
Primeiramente quero te parabenizar pelos posts como sempre perfeito *o*
E sobre o livro, eu nunca havia escutado falar dele, mas a historia confesso que não me fez suspirar não ç_ç
Hey, por que não faz um Bookshelf Tour? Adoraria ver ç_ç


Caverna Literária, disse: - 19-06-2014 (17:28)

Gostei bastante da sua resenha! Já estava curiosa a respeito desse livro, e agora então, quero desvendar logo esse mistério todo. Mas vem cá, me diz uma coisa.. Porque na capa a mulher tem aparência de uns 20 anos, ao invés de 40? ahahaha

xx Carol
http://caverna-literaria.blogspot.com.br/


Daniela Farias, disse: - 19-06-2014 (17:54)

Eu já li No Escuro e confesso que foi uns dos livros mais surpreendentes que já li. Não sou acostumada a ler gêneros de suspense mas devo confessar que ela me fez amar.
Sou louca para comprar os outros livros dela, as histórias são envolventes que fazem você perder a noção do tempo.
Adorei!
Beijinhos! <3


Caroline, disse: - 22-06-2014 (14:19)

Oi Jeh!
Como sempre as suas resenhas deixam aquela vontade de comprar/ler o livro, e esta resenha não foi diferente. Confesso que já tinha visto as capas dos livros e que tive (e tenho ainda) vontade de ler “Vingança da Maré”, vontade da qual nasceu depois da Bienal do Rio (no ano passado). Espero um dia ter a oportunidade de ler um dos livros.

Beijos (e estava com saudades do blog, pois andei sumida =/)!!


Babis, disse: - 22-06-2014 (19:51)

Amei a resenha, Jéssica! Sei muito bem como é resenhar um livro de seu autor favorito, difícil hehe Sempre quis ler o livro No Escuro da Elizabeth, acho que é um dos mais conhecidos dela, mas agora o Restos Humanos também entrou para minha lista.

Blog: Café Com Babis (:


Sandra, disse: - 25-06-2014 (19:36)

Eu tenho esse livro, mas não li ainda porque minha tia está lendo. No entanto, estou bastante curiosa, porque todos estão falando muito bem e eu adoro thrillers!

Beijocas!


Yassui Fortes, disse: - 26-06-2014 (16:11)

Agora fiquei super curiosa, Jeh. Adoro livros com esta temática, estes dias alguém fez um comentário sobre este livro No escuro e confesso que fiquei interessada em conhecer.


Ana Paula Andrade, disse: - 01-07-2014 (07:17)

Nossa, tenho livro no escuro da autora aqui em casa mas nunca me interessei em ler, mas me deu uma vontade de fazer a leitura do livro agora depois da sua resenha.
Beijos

Jeh Asato Jeh Asato, respondeu:

Aaah mentira Paula?!?! Poxa eu adoro os livros da Elizabeth! Eu li “No escuro” e amei!! Se você tiver esse também, leia! E espero que goste tanto (ou mais) quanto eu!
Beijos!
<3




Thais - Amiga da Leitora, disse: - 21-08-2014 (18:33)

Meu abajur é igual o seu Jeh *–*


Ronaldo Gonçalves, disse: - 20-11-2014 (17:35)

Depois da decepção com Vingança da Maré, relutei em ler Restos Humanos. Mas não me decepcionei. Não achei tão bom como No escuro, mas é um livro notável. Em meu blog faço uma resenha dos três. Se quiser conferir:

http://porquelivronuncaenguica.....lidao.html

Jeh Asato Jeh Asato, respondeu:

Aahh poxa, eu gostei bastante de No escuro, com certeza mexeu bastante comigo!
Já Restos Humanos me tocou por ser um assunto que eu quase não penso a respeito e achei muito interessante também! Já Vingança da Maré eu não li apesar de tê-lo comprado!
Vou conferir sua resenha! Obrigada pela dica!
:)




@blogdimoca no Instagram!

Di Moça :: Colecionando sonhos e palavras! - Todos os Direitos Reservados - Copyright © 2015 - Ilustração por Juliana Rabelo