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A imersão

29 . dezembro . 2014

Ao olhar para os lados vejo sombras que me acordam. Tais vislumbres de lembranças que me fazem pensar em como estou aqui e como vou lidar com tudo isso. Ando, ando e paro na praia. Aquela visão peruana me faz me sentir livre. Livre de todas as amarras sociais e obrigatórias. Que me privam de pensar com liberdade, com amor. Real à vida e a mim. Penso que talvez mais pra frente consiga ver algo mais concreto para se dedicar. Algo mais profundo para amar. Coloco minha canga na praia e admiro os pássaros voando, livres. Livres. As admiro, suas asas lhe possibilitam estar além do céu, do ar. Deixo o sol entrar em mim como quem recarrega as energias no coração do mundo. Coração que me habita e me alimenta. A sensação de queimar a pele me deixa mais viva.
Começo a andar em direção à água, me vejo menor ou maior? As águas possuem meus pés e perco controle deles. É como se não pudesse mais me guiar, a maré trata de me levar para onde devo ir. O sal rasga minha pele, mostra meu interior, exposto ao sol e aos ruídos das ondas. Os pássaros se agitam e é como se tudo não tivesse mais em seu ritmo natural. Porém mais calmo, mais em sintonia. Parece que desenhavamos danças no ar, jogos de vento, rodopios constantes. Sintonia com a natureza. Momentos epifanicos que me fazem maior, sempre maior. Me inundo de mim mesma e já não me acho mais. Água e eu somos um só, natureza, céu e mar, coração e ódio. Somos uma junção de luz e amor, uma paz que me levaria além, para outro mundo, para dentro de mim.

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Revivendo 2014

26 . dezembro . 2014

É extremamente curioso como um ano (365 dias, beibe) podem definir e projetar o seu futuro de forma assustadoramente excitante.
Pois antes do mês de Maio eu tinha certeza de que 2014 seria mais um ano repulsivo e sem expectativas (eu me sentia assim dos pés à cabeça).
Um papel com um baita positivo em negrito mudou toda a minha vida e a partir daí meus dias foram quase todos focados na transformação da minha vida. Ai meu Deus, eu seria mãe em nove meses, como sobreviver a isso? Mas acreditem, eu estou sobrevivendo! E apesar de estar grávida ter sido a revelação mais importante do meu ano outros acontecimentos também marcaram o meu ano e modelaram, de alguma forma, o meu futuro. Acontecimentos bons e ruins, claro, mas hoje quero reviver alguns acontecimentos maravilhosos que mexeram comigo e me revelaram a mulher forte e capaz que sou! Em 2013 também fiz uma retrospectiva (leia aqui) e hoje vejo o quanto caminhei para chegar até aqui.
Listei abaixo alguns fatos que me marcaram mas não estão em ordem cronológica (já é muito eu lembrá-los vividamente, mas lembrar da ordem é exigir demais de mim, rs).

♥ Mais tatuagens

Como sempre me disseram e eu custei a acreditar: depois que você faz sua primeira tatuagem é impossível não querer mais!
Esse ano tive a oportunidade de rabiscar mais três tatuagens no corpitcho e não vejo a hora de fazer mais! O Adham é bem conhecido e prestigiado em Campo Grande, então resolvi conferir na pele o trabalho dele. De forma atenciosa, simpática e gentil ele me tirou todas as dúvidas e até conversamos a respeito da mínha síndrome do pânico (se poderia interferir de algum modo durante o processo).
No dia tudo correu super bem, conversamos sobre diversos assuntos e o Adham é um ótimo profissional. Espero fazer os próximos desenhos com ele e compartilhar com vocês aqui. Aliás, tem post aqui sobre todo o processo e as artes feitas no corpo.

♥ Viagem para Gramado

Meu Deus, só de escrever a palavra Gramado já sinto um apertinho no coração por querer voltar mais vezes! Foram quatro dias de férias que me fizeram me apaixonar pela cidade. Até quis morar para aqueles lados e, quem sabe quando o Lucca estiver maiorzinho, eu realmente não me mude? Uma cidade encantadoramente turística do jeitinho que eu admiro.
Fui com minha mamãe e aproveitamos um pacote pela agência de turismo Vento Sul. Conhecemos vários pontos turísticos como as lojas de Chocolates (que existem aos montes), DreamLand (Museu de Cera e Harley Davidson), Mundo À Vapor, Mini Mundo, Maria Fumaça, Cidade Nova Petrópolis e Snowland (esse arrasou, finalmente pude sentir como era neve).
Há meses atrás fiz um vídeo “diário de viagem” mas não publiquei porque fiquei com vergonha da qualidade e edição do vídeo. Mas pensando bem acho que devo mandar essa vergonha à merda, o que acham? Então compartilho o vídeo com vocês e espero que gostem!

♥ Um ano de Guilherme

Há um ano e onze meses atrás a notícia de que meu irmão seria papai e eu seria titia nos pegou totalmente de surpresa. Não sei por quê mas me ver novamente como tia (já tenho dois sobrinhos de um outro irmão mais velho) me emocionou e me deixou atônita. Será que meu jeito depressivo intereferia algo ou esse bebê estava prestes a mudar minha vida? Dito e feito, crianças são bençãos que vêem ao mundo para alegrar nossos corações e é isso que o Guigui tem feito até hoje. Lamento por não passar mais tempo com ele e ser a tia divertida e brincalhona que eu gostaria de ser mas acredito que, com a chegada do Lucca, nossos laços se estreitarão! Até noite do pijama vai rolar aqui e ai da mamãe do Gui não deixar!
Em Janeiro o Guigui completou um aninho de vida e comemoramos com muita alegria e diversão! Esse dia não pôde passar desapercebido do blog e fiz um post com várias fotinhos dele, vejam aqui! É incrível como nesse tempo ele cresceu tanto. OMG, os dias estão voando e nem ao menos deixam um aviso para a gente se preparar, né? O nosso bebê está quase para completar dois aninhos e é tão esperto, educado e fofo que oro à Deus para que ele seja sempre abençoado!

♥ Evento “Romances de Época Arqueiro” em Campo Grande (MS)

Esse ano tive o prazer em ser convidada pela editora Arqueiro para mediar o evento Romances de Época aqui em Campo Grande (MS). Apesar de eu amar leitura ainda não conhecia os títulos lançados nesse gênero embarquei nessa experiência com unhas e dentes! O evento foi realizado na livraria Le Parole e, infelizmente, choveu muito no dia, atrapalhando os participantes e leitores a prestigiarem o evento. Mesmo assim os que foram me deixaram hiper contente e conversamos muito sobre livros. A editora também enviou alguns mimos para os leitores e no final deu tudo certo. Espero ter outras oportunidades de mediar eventos em Campo Grande!

♥ Um ano Di Moça

No dia 10 de Abril de 2014 comemoramos um ano de blog Di Moça e nem acreditei que passou tão rápido! Não tivemos a maior comemoração de todas e não pude oferecer os melhores sorteios para os leitores mas o carinho que recebi foi revigorante e positivo, o que me deu ânimo para continuar o trabalho aqui no blog!
Se você não conhece a história do Di Moça, é só entrar neste post e aproveitar a leitura!
Também aproveitamos a coluna “Instagram da Semana” para que os leitores compartilhassem através de fotos e imagens o afeto pelo blog. O resultado foi lindo, veja aqui.

♥ Do mundo virtual para a minha realidade

Já estava me acostumando com a ideia de que conheceria os leitores, blogueiros e amigos virtuais apenas em datas e eventos específicos, como a Bienal do Livro. Mas este ano tive o prazer em receber duas lindas aqui em Campo Grande.
A Laudiane é minha amiga fotógrafa super profissional e maravilinda que conheci por causa do blog. Depois de um não longo tempo ela veio fazer um trabalho fotográfico na minha cidade e é claro que eu fui conhecê-la. Ou melhor, ela veio até mim, rs. Quase saiu um ensaio meu mas a vergonha foi maior e quem sabe na próxima, né Lau? Uma mulher incrível que me surpreendeu por ser muito mais do que realmente mostra na Internet! Uma vencedora, guerreira, amiga, mãe e fotógrafa!

A Angélica do blog Rabiscando veio para MS por passagem por causa do Paraguai (ótimo lugar para fazer compras, genteee!). Foi tudo bem rápido e eu só soube da parada dela aqui no mesmo dia, quando ela me ligou enquanto eu saía do trabalho. Nos encontramos no Shopping Campo Grande e tive a oportunidade de conhecer o seu marido também. De quebra levei o Jonathan, pai do Lucca, para socializar e foi um momento incrível! Conversamos sobre aleatoriedades mas os rapazes que dominaram os assuntos na mesa.
Adorei saber que a Angel é carinhosa e afetuosa exatamente como é nos seus vídeos. Impossível se decepcionar com tamanha gentileza e bondade.

♥ Madrinha de casamento

Jamais imaginei, em toda a minha vida, que algum dia poderia ser chamada de madrinha de casamento. Mas este ano tive o privilégio de ser madrinha de uma das melhores pessoas que eu já tive o prazer de conhecer e de chamar de amiga: Vanessa!
Nos conhecemos na faculdade mas só fomos estreitar laços no terceiro ano. Éramos em sete meninas que eu adorava chamar de Jessy & as Gatinhas! Quando terminamos o curso quase morri porque a maioria mora em outra cidade e isso significava (aparentemente) que nosso contato seria menor. Graças a Deus me enganei e, sim, é difícil manter contato como antes mas o carinho que temos uma pela outra é forte o bastante para nos unir em um casamento!
A comemoração foi incrível, em Tangará da Serra (MT) no Salto das Nuvens, com direito a tudo o que você imaginar! Eu confesso que quando vi a noiva caminhando em direção ao noivo fiquei com vontade de casar também. Mas aí na parte da comida eu me esqueci disso e me empaturrei! *-*
O Lucca fez a festa enquanto eu comia e o deliciava com os melhores pratos e sobremesas, uhrul!
OBS: Gente, eu consegui ficar bonita pra valer pelo menos uma vez na vida!

♥ Novos bebezinhos na família

Não bastavam cinco lhasas mas tivemos que adotar mais dois bebezinhos. Somos os loucos dos lhasas e acho que todos os vizinhos ficam loucos com tantos latidos, mas o amor é assim mesmo e, bah, conformem-se. Primeiro adotamos a Mia para ser amiguinha do Lucca (nhóin, vai ser tão lindo vê-lo puxando o rabo dela pra cima e pra baixo) e mais recente o Toni que é puro amor e dengo. Sério, é impossível brigar com ele porque toda vez que ele faz arte, se joga no chão e pede carinho. Agora são sete bebezinhos e, como diz minha mãe, onde cabem sete cabem dezessete! *-*

♥ Um ano no mercado de trabalho

Estive cinco anos afastada do mundo por causa da síndrome do pânico e somente ano passado (Agosto, para ser precisa) consegui me inserir no mercado de trabalho. Achei que esse dia jamais chegaria mas graças ao tratamento psiquiátrico (oi, dr. Adriano!), a paciência-linda da minha família e a fé em Deus esse dia chegou! Sou professora de inglês em uma escola de idiomas (na qual já estudava antes então foi mais fácil entrar como funcionária) e esse ano completei um ano lá! Fiquei super feliz com essa conquista e torço para alcançar muitos outros. Nesse tempo conheci pessoas incríveis e outras nem tanto mas o importante foi estreitar laços fora do ambiente de trabalho.

♥ Nova fase do blog Di Moça

Depois que descobri sobre a gravidez entrei em estado de choque, eu acho. O que sei é que precisava de um tempo só no meu mundo real porque era ele quem iria mudar. Enquanto isso o blog Di Moça ficou em hiatus até eu decidir o que fazer e como lidar com essa nova fase (ou seja, fiquei off por um longo tempo). Mas como o blog sempre foi minha terapia, comecei a sentir falta das postagens e de vocês (nhóin) e essa ausência começou a me correr. Decidi então que o blog precisava de uma nova carinha para representar essa minha nova perspectiva de vida.
Com o trabalho lindo da Juliana Rabelo, Suelen Lima e Cor Seletiva chegamos neste resultado que você acompanha agora! Tudo foi feito com muito amor e você pode conhecer mais sobre as mudanças neste post.

♥ Caixa Postal do blog

Ain, nem acredito que finalmente o Di Moça tem uma Caixa Postal exclusivinha para ele! Demorei muito tempo para criar uma porque, aqui na minha cidade, tinha algumas restrições que me impediam de criar uma. Mas depois de ter sido instigada pela Jess Vieira fui atrás de mais informações sobre esse serviço nos Correios. neste post conto um pouco para vocês como foi todo o processo e como você pode criar a sua!

♥ Parcerias com editoras

Ah não tem como esquecer de agradecer pelas parcerias que o blog manteve mesmo desatualizado. Claro que perdi algumas mas também conquistei outra (oi, Valentina!) e para minha surpresa todas que continuaram com o blog foram atenciosos, pacientes e solícitos ao saberem da gravidez. É verdade que daqui para frente é tudo incerto mas estou com os dedinhos cruzados (meus e do Lucca) para continuar parceira delas. Algumas estão com o Di Moça desde o começo e sou muito grata pela confiança. Um brinde à nossa parceria! \o/

Tenho ou não tenho motivos de sobra para agradecer este 2014 que veio agitar minha vida por completo? Claro que sim! E tenho certeza de que 2015 será muito melhor, afinal de contas, já no comecinho do ano terei meu Lucca nos braços e uma nova etapa se iniciará.
E vocês, conseguem listar os acontecimentos mais gratificantes no ano de vocês? Então compartilhe aqui com a gente para, juntos, ficarmos felizes com tantas bençãos sobre nós!
Um beijo di moça e até ano que vem!

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Uma chance para o Natal

25 . dezembro . 2014

Eu não tinha certeza se seria uma boa ideia fazer um post no dia do Natal, apesar de parecer inapropriado e falta de atenção com vocês se eu não fizesse. Vejam bem, não é que eu seja uma Christmas hater ou rebelde-sem-causa mas tenho alguns motivos para ver o Natal sob uma ótica mais deprimente.

Não que os desastres tenham acontecido apenas nesta data. Que nada, problemas e tristezas surgem nos dias úteis, 24 horas, sem descanso. Mas algumas situações mais fortes me pegaram de surpresa em vários Natais da minha vida. Juntando tais acontecimentos com as musiquinhas melancólicas que tocam, parece que tudo tem um peso mais melancólico.

Por exemplo, em algum momento da minha infância me contaram, às vesperas de Natal, que meu pai não era meu pai biológico. Consigo sentir o choque desnecessário até hoje. Digo, por que acabar com a minha ideia de família sem necessidade alguma? Depressão natalina número 1.

Não me lembro a ordem mas chegou um momento que meus pais se separaram e meus avós paternos faleceram, um ano seguido do outro. Não foi perto do Natal mas mencionei isso porque comemorávamos o Natal na casa deles. Era como se eles fossem a base das reuniões, dos amigos secretos, da comida típica e, às vezes, da falsidade à meia noite. Depressão natalina 2.

Mais uns anos se passaram e meu namorado – que hoje é pai do Lucca – foi embora da cidade sem se despedir com o objetivo de tratar seus demônios pessoais. Duas vezes. Foram os piores Natais da minha vida. Depressões natalinas 3 e 4.

Não posso me esquecer de que meu avô materno também faleceu pertinho do Natal, desolando a vida da minha mãe e criando um caos na família dela. Logo, na minha vida também. Depressão natalina 5.

Desde então eu gerei em meu coração a ideia de que o Natal não deveria ser comemorado porque seria como um culto a todos esses acontecimentos, do tipo “Ei, hoje faz tantos anos que aconteceu isso, isso e isso”. Aqui em casa já não tínhamos motivo para montar árvores e comprar piscas (nunca tivemos mas eu sempre quis fazer parte dessas famílias que se reúnem para montar árvores de Natal com um sorriso no rosto). Também não fazíamos ceias de Natal e a comida partilhada é a mesma de um final de semana, salvo uma fruta ou um prato típicos. Não esperamos o relógio soar meia noite para nos abraçarmos e desejar Feliz Natal uns aos outros (às vinte e duas horas da véspera eu já estou na cama dormindo ou chorando).
Por mais que eu tente, sempre coloquei em meu coração que o Natal jamais seria uma data realmente comemorativa para mim.

Mas aí, para a minha surpresa, Deus me deu um presente preciosíssimo: o Lucca. E me parece que agora comemorar o Natal faz sentido, não por mim mas por outra pessoa, entendem? Meu bebê ainda não nasceu mas já comemora o seu primeiro Natal dentro da minha barriga. Como eu poderia negar a uma criança que nem nasceu o direito de ter um Natal otimista? É muito egoísmo da minha parte me deitar na cama às dez da noite e chorar feito criança ao relembrar de tantas coisas ruins ao som de musiquinhas depressivas. Se antes eu não tinha ânimo nenhum para ver o Natal como um brinde à Jesus, agora tenho muito a lhe agradecer.

Este ano montei a minha mini-árvore (versão rosa) com piscas de bolinha e a enfeitei pensando no momento em que o Lucca estará ali do meu lado, me ajudando e rindo de tantos enfeites fofos. Esse ano sou agradecida pelos presentes que recebemos com tanto carinho. Fiz planos e sonhei com um próximo Natal em que uma criancinha linda estará à espera do Papai Noel e seus presentes naquela sacolona vermelha. Jonathan vai ter que se empenhar para ganhar uns quilinhos a mais, rs.
E talvez seja errado depositar minhas esperanças em uma criança mas é o jeito que eu vejo e aceito o Natal daqui para a frente.

Por isso, quero dizer a você que já passou por tantas tristezas no Natal, sempre há alguma coisa ou alguém que pode transformar a sua vida, por completo. Às vezes quando menos se espera, e torço para que você abrace essa oportunidade; não deixe o sentimento de vazio natalino tomar conta de você.
Para você que nunca se sentiu confortável ou esperançoso com essa data e que acha tolice montar árvores, dar presentes ou participar de ceias: ninguém vai te fazer mudar de opinião se isso te deixa confortável. Mas se você também queria enxergar e participar de um Natal como ele aparenta ser (harmonioso, apetitoso e cheio de luzes) tente fazer a mudança você mesmo. Afinal de contas, já temos 364 dias à mercê de tantas coisas ruins, por que permitir que o Natal seja mais um se podemos tentar algo inusitado?

Assim, termino este post com um sorriso no coração e com a esperança de que o Natal seja lindo para todos nós. Que cada um possa aproveitá-lo merecidamente e que haja significado no seu dia. Aproveite para fazer aquilo que o ano inteiro não te permitiu e esqueça, pelo menos por um dia, todo o mal que já assolou a sua alma e o seu coração.

É com muito carinho e com uma dacinha de rena-fofa que me despeço de vocês!
Beijos di moça com floquinhos de neve!

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O Presente do Meu Grande Amor

24 . dezembro . 2014

Não tem momento mais oportuno para lançar uma resenha com doze contos de Natal do que na véspera da data festiva (ou na própria data, como queiram).
O lançamento da Intrínseca me pegou de surpresa já que não estou acostumada a ler contos e não sou fã do Natal mas foi uma surpresa surpreendente (existe isso?). Em doze contos, organizados pela Stephanie Perkins, podemos rir, chorar, sonhar e cair na real.
Confiram um pouquinho sobre esse conjunto de contos natalinos!

O Presente do Meu Grande Amor (My True Love Gave to Me: Twelve Holiday Stories)
Organizado por: Stephanie Perkins
Ano: 2014
Páginas: 350
Editora: Intrínseca

* Livro enviado pela editora como cortesia.

Sinopse:

Se você gosta do clima de fim de ano e tudo o que ele envolve, presentes, árvores enfeitadas, luzes pisca-pisca, beijo à meia-noite, vai se apaixonar pelo livro. Nestas doze histórias escritas por alguns dos mais populares autores da atualidade, há um pouco de tudo, não importa se você comemora o Natal, o Ano Novo, o Chanucá ou o solstício de inverno. Casais de formam, famílias se reencontram, seres mágicos surgem e desejos impossíveis se realizam. O pessimismo não tem lugar neste livro, afinal o Natal é época de esperança.

Créditos: Skoob

O conto é uma obra de ficção que cria um universo de seres e acontecimentos, de fantasia ou imaginação. Como todos os textos de ficção, o conto apresenta um narrador, personagens, ponto de vista e enredo.
Diz-se que o conto se define pela sua pequena extensão. Mais curto que a novela ou o romance, o conto tem uma estrutura fechada, desenvolve uma história e tem apenas um clímax. Num romance, a trama desdobra-se em conflitos secundários, o que não acontece com o conto. O conto é conciso.

Fonte: Wikipédia

“- Nem todo mundo sabe como conseguir aquilo que deseja.”

Meias-noites (Rainbow Rowell)

Mags e Noel se conhecem desde os 15 anos, na festa de ano novo no porão da casa de Alicia. Noel é um garoto magricela, pálido e alérgico a nozes e se tornou a pessoa favorita de Mags. Mas em 2014 alguma coisa mudou, um sentimento novo rompeu. Nos três anos de amizade entre eles, Mags havia passado muito tempo fingindo que não precisava de nada mais além do que Noel já lhe oferecia. Ela dizia a si mesma que havia uma diferença entre querer uma coisa e precisar… Será que realmente basta?
Conto narrado em terceira pessoa, Rainbow Rowell nos direciona para o amadurecimento da amizade entre os personagens. A história é fofa-romântica mas não me senti tão atraída pelos personagens como imaginei que aconteceria.

A dama e a raposa (Kelly Link)

Miranda é uma garota de 11 anos que passa os Natais na casa dos Honeywell. Afilhada de Elspeth – que é mãe de Daniel – a garota já se acostumou com a sala sempre repleta de adultos conversando sobre todos os assuntos nas noites de Natal. No final da festa, Miranda nota um homem no jardim parado na frente da janela, olhando para dentro da casa. Seria o Papai Noel? Daniel, do seu jeito excepcional, afirma que não sem mesmo conferir. Com o passar dos anos, Miranda se atenta sempre à janela à espera do homem misterioso. Quando finalmente o conhece, compreende que existe muito mais que regras para que ele possa aparecer apenas no Natal e quando neva. Antes garota e agora mulher, Miranda está decidida a desvendar e conhecer esse homem que tanto mexeu com seu mundo.
Narrativa em terceira pessoa, Kelly nos apresenta um mundo dividido entre realidade e magia. Confesso que não entendi muito bem sobre a magia que rodeava o tal homem mas é um conto com cenas levemente sedutoras.

Anjos na neve (Matt de La Peña)

Shy Espinoza mora em Nova York para usufruir da bolsa integral da Universidade de Nova York. Aparentemente parece que ele se deu bem na grande cidade mas a verdade é que Shy não vê a hora de morar perto de casa novamente. Nas vésperas de Natal, Shy está no apartamento novinho em folha de seu chefe, Mike, e sua esposa, Janice, para cuidar da gatinha Olive enquanto viajam. Acontece que Mike havia se esquecido de passar no caixa eletrônico antes de sair e perguntou se poderia lhe pagar quando eles voltassem da Flórida. Sem problemas, mentiu. Agora, sozinho no apartamento e na própria Nova York – a neve de 30cm proibindo a saída dos moradores às ruas – a fome e a solidão parecem arrasadoras.
É quando a vizinha do andar de cima (Haley) bate à porta com problemas no encanamento do chuveiro. Sem saber ao certo se vale a pena ou não se passar por entendedor de encanamentos, Shy resolve ir até o apartamento da vizinha. E a partir daí nasce um relacionamento de revelações e suas vidas fora de Nova York.
O conto é narrado em primeira pessoa, sob o ponto de vista de Shy, e adorei a linguagem utilizada por Matt. Os personagens são bem desenvolvidos e me comovi com a sinceridade da Haley. Não me lembro de ter lido alguma obra de Matt mas, agora, fiquei bem interessada em conhecer outros títulos do autor.

“Mas será que ela não merece alguma coisa a essa altura? Um pouco de sorte?”

Encontre-me na estrela do Norte (Jenny Han)

Natalie – ou Natty, como os duendes do Polo Norte a chamam – é uma humana que foi encontrada pelo Papai Noel há quinze natais atrás, na Coreia do Sul. Agora, vivendo ao redor de duendes, Natty precisa encontrar um parceiro na noite de Primeiro de Dezembro, para o Baile da Neve. Nesse tempo, Natty pensa se é oportuno convidar o primeiro humano que conheceu, Lars, já que Flynn – seu amigo duende lindo – já tem companhia.
Neste conto, narrado em primeira pessoa, podemos entrar em mundo totalmente mágico onde duendes e o próprio Noel são seres tangíveis e bem cativantes. Gostei deste conto por ter me tirado do mundo real e me feito imaginar como seria viver no Polo Norte com outros seres lendários.

É um milagre de Yule, Charlie Brown (Stephanie Perkins)

Marigold adorava o terreno cheio de árvores de Natal. Para começar, era mais iluminado (e talvez até mais quente) do que o apartamento onde morava, em Ashville. A visita da garota naquele terreno não era para comprar uma árvore de Natal porque suas economias estavam contadas; nem para apreciar o Garoto das Árvores de Natal (bem, um pouquinho). Estava ali porque precisava de uma coisa dele. Algo de que ela precisava e só ele podia oferecer. Ela precisava da voz dele.
Porém, para conquistar esse desejo, Marygold está preparada para puxar assunto com esse Garoto e, quem sabe, ele possa dar a ela o que tanto precisa. Mas nesse período de conversa, eles terão um encontro transformador.
Gostei do conto apresentado por Stephanie, narrado em terceira pessoa. Os personagens são mais crescidos (19 anos) e desenrolam conversas bem espontâneas. North Drummond é um personagem encantador.

Papai Noel por um dia (David Levitham)

É difícil não se sentir um pouquinho gordo quando seu namorado pede que você seja o Papai Noel. Para nosso personagem (que não nos revela seu nome), ter que se passar por Papai Noel na noite de Natal para satisfazer o desejo do namorado, Connor, é um terror. Talvez a prova viva de que exista amor. É o primeiro Natal como um casal, apesar de não o passarem exatamente juntos. Porque ele terá que se vestir de Papai Noel e encantar a noite de Riley e, quem sabe, Lana – irmãs de Connor.
Neste conto é impossível não rir das situações e pensamentos do personagem principal, já que ele se mete em muitas situações engraçads graças à irmã pentelha de Connor, Lena. David Levitham nos apresenta de forma divertida as enrascadas do personagem-sem-nome. Não tinha lido nada de David ainda mas achei bem fácil e fluente a narrativa do mesmo.

“- Não é engraçado com em um dia você espera ansioso por uma coisa, como a neve, e, no dia seguinte, torce para que ela vá embora?”

Krampuslauf (Holly Black)

Acredito que este é o conto mais porra-louca e mais macabro de todos do livro. Narrado em primeira pessoa, Hanna é uma garota que não admite que o Krampuslauf seja do jeito que é: um evento beneficente que oferece chocolate quente de graça. Transformaram a coisa toda em algo completamente contra o verdadeiro espírito de Krampusnacht, que deveria servir para deixar as pessoas apavoradas, para correr com tochas e chicotes e gritar na cara de crianças em prantos para que elas fossem boazinhas.
Krampus é uma criatura horrenda da mitologia nórdica que acompanha São Nicolau durante a época do Natal, segundo lendas de várias regiões do mundo.
Hanna tem duas grandes amigas, Wren e Penny (de Penélope) que sai com um carinha chamado Roth. Roth é um cara riquinho que merece ser punido por apresentar a todos publicamente sua namoradinha Silke. Penny, que se lamenta pela situação vivida, terá a vingança manipulada pelas amigas. Uma suposta festa de ano novo no trailer da avó-morta de Hanna será planejada para que Roth seja desmascarado e Silke conheça a verdadeira face do maledeto. A grande surpresa é um garoto fantasiado de Krampus que mudará todo o rumo da história.
Neste conto (em primeira pessoa) também temos um toque de magia, revelado quase no final, que me pegou de surpresa. Aqui já não me senti tão à vontade, talvez por tantas referências macabras da personagem. Mas quem curte personagens doidos prontos para curtir a vida, está aqui uma boa dica.

Que diabo você fez, Sophie Roth? (Gayle Forman)

Sophie nos apresenta pelo menos doze momentos “Que diabo você fez, Sophie Roth?” desde que entrou para a faculdade e está prestes a viver mais um. As provas finais haviam terminado dois dias antes mas como os voos de volta a Nova York custariam metade do preço na semana seguinte, ela precisaria ficar por lá matando o tempo. E então conhece Russel e, para sua surpresa, passa um tempo incrível com o único garoto que a entende.
Esse conto é bem leve e gostoso de ler mas não chegou a me conquistar por completo. Ainda assim foi gostoso passar um tempo com eles.

Baldes de cerveja e menino Jesus (Myra McEntire)

Pela primeira vez na vida, Vaughn está encrencado de verdade. Depois de colocar fogo no celeiro ao lado de uma igreja metodista, o pastor da mesma lhe oferece uma escolha: se ele concordasse em abrir mão do seu feriado de Natal para ajudar a igreja a remontar a peça teatral, o incidente seria eliminado dos seus registros. Durante essas quarenta horas de trabalho comunitário, Vaughn irá além de uma simples encenação ao se apaixonar pela filha do pastor.
O conto é apresentado em primeira pessoa e foi bem rápido e agradável mas não me dominou como eu imaginei que aconteceria pelo título (parece divertido, né?).

“O objetivo de uma árvore de Natal é parecer com todas as outras árvores de Natal, mas ainda ter um pouco de você nela.”

Bem-vindo a Christmas, Califórnia (Kirsten White)

Este, sem sombra de dúvida, foi meu conto preferido. Muito bem escrito, com personagens cativantes e cheio de magia em um mundo catastrófico.
Maria mora em uma região censitária. Em Christmas (na Califórnia) não há o que se esperar e nem o que dar em troca, por isso ela não vê a hora de sair dali. Sua mãe e seu padastro trabalham na mina enquanto ela oferece sua mão-de-obra no Christmas Cafe. O salário é destinado para as despesas, os clientes são entediantes e nem ao menos oferecem uma gorjeta.
Mas quando Ben ocupa o cargo de cozinheiro da cafeteria, a magia invade o ambiente e transforma qualquer coração em sonho e esperança.
O conto é simplesmente lindo, cheio de significados e carregado de família. Adoro quando a família é foco principal. As situações tristes e perturbadoras de alguns personagens me deixaram com o coração na mão mas a transformação que Ben consegue causar no cenário é bem emocionante. Foi neste conto que finalmente me joguei em lágrimas.

Estrela de Belém (Aly Carter)

No aeroporto de Chicago, O’Hare, cinco dias antes do Natal, Hulda está implorando para a balconista deixá-la embarcar no voo para Nova York. O problema é que sua passagem não é para lá mas, se precisasse mesmo, poderia comprar outra passagem para o voo da manhã.
Analisando a situação de longe, Liddy resolve trocar de passagem com Hulda, uma total estranha com destino para qualquer lugar. Ao fazer a troca, Liddy desembarca em Oklahoma, em lugar algum, do jeito que pretendia. Mas ao conhecer a família de Ethan, o namorado de Hulda, todo o mundo criado por Liddy desaba para criar outro cheio de amor e afeto.
Adorei esse conto também, já que envolve família e é carregado de sentimentalismo. Ethan é um adolescente adorável e bem-humorado. Gostei também da revelação de identidade da Liddy.

A garota que despertou o Sonhador (Laini Taylor)

Este foi um dos contos mais confusos e ao mesmo tempo com a fantasia mais atraente, finalizando os contos do livro. Na Ilha das Penas, é tradição os homens deixarem presentinhos para suas amadas em cada um dos vinte e quatro dias do Advento. Mas para Neve não há muita comoção ou esperança, já que não se enxerga como alguém atraente para um pretendente. Levadas para lá doze anos antes, Neve é órfã da peste que assolou a Colônia Fracassada, comprada para trabalhar duro na fábrica. Uma vida precária que exige apresenta uma saída: casar-se com alguém de bem.
Infelizmente existe um pretendente: o reverendo Spears, um homem insuportável com seus sermões horrendos. Sem saber o que fazer, Neve conjura Wisha para lhe proteger das garras do reverendo.
É muito interesante a magia que surge ao redor do Sonhador e de tudo o que acontece quando este acorda a pedido de Neve. O amor que nasce entre um deus e uma humana é possível e cheio de força. O único conto que foge do conceito de Natal que compartilhamos.

“Mas as pessoas não precisam lembrar como era ser feliz e seguro no passado. Elas precisam ter esperança de que podem chegar lá outra vez, no futuro.”

Uma análise geral dos contos me permite dizer que o livro é bem receptivo e atende bem às características de conto (descritas acima). Leitura recomendada nos dias que antecedem o Natal, os contos adquirem mais força e significado quando lidos no clima natalino. Não importa sua religião ou crença porque os contos apresentam diversos conceitos de Natal: judaico, pagão, cristão. Eu, que não sou fã de Natal, fiquei encantada, emocionada e sonhadora ao ler cada conto e o mundo ao qual eles me levaram. Queria ser inserida em cada um deles e vivenciar o Natal apresentado por cada autor.
Todos os contos envolvem afeto e carisma nos relacionamentos, sejam os amorosos, familiares ou próprios. O amor é tema sólido e nos possibilita sonhar com a magia e as mudanças que só o Natal pode ceder.

Gostei muito da experiência que tive durante os doze contos natalinos e recomendo a todos que precisam e desejam fugir um pouco da realidade de doze formas diferentes e fascinantes.
Quem já leu, compartilhe aqui nos comentários qual conto te conquistou plenamente?
Beijos di moça!

Stephanie Perkins

Stephanie Perkins sempre trabalhou com livros – primeiro como vendedora, depois como bibliotecária e agora como romancista. Adora café moca, contos de fadas, música alta, caminhadas na vizinhança, chá de jasmim e tirar sonecas à tarde. E beijar. Stephanie e seu marido moram nas montanhas do norte da Califórnia.


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