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O Príncipe da Névoa :: Carlos Ruiz Zafón

29 . maio . 2013

Eu confesso que fugi, por muito tempo, das obras de Carlos Ruiz Zafón. Só pelo nome eu tinha a impressão de que iria me deparar com uma leitura complexa, filosófica e cheia de significados nas entrelinhas. Eu é quem não estava pronta para esse tipo de confronto (coitado do meu pobre vocabulário). Eis que o tempo passa, o tempo voa e não teve jeito: eu e Zafón cara a cara, ou melhor, livro na cara, sem lugar para escapar. E não é que eu amei a escrita do Zafón? Estou impressionada com “O Príncipe da Névoa”, uma leitura que se encaixa na mente de um adolescente quanto na de um adulto. Confira a resenha e minhas impressões do primeiro livro de uma série de “romances juvenis”.

O Príncipe da Névoa (El Príncipe De La Niebla)
Autor: Carlos Ruiz Zafón
Páginas: 184
Editora: Suma de Letras

* Livro enviado pela editora como cortesia.
Sinopse:

A nova casa dos Carver é cercada por mistério. Ela ainda respira o espírito de Jacob, filho dos ex-proprietários, que se afogou. As estranhas circunstâncias de sua morte só começam a se esclarecer com o aparecimento de um personagem do mal – o Príncipe da Névoa, capaz de conceder qualquer desejo de uma pessoa, a um alto preço.

Crédito: Skoob

Quando a guerra está determinada a invadir sua esperança e sua família, o relojoeiro (e inventor nas horas vagas) Maximilian Carver reúne sua família para anunciar a mudança para uma casa perto da praia, num vilarejo às margens do Atlântico. Um lugar longe da cidade. Um lugar longe da guerra.
Max, filho do relojoeiro, não estava pronto para lidar com tamanha notícia, ainda mais no dia do seu aniversário. Completar 13 anos deveria ser motivo de alegria. Nem o relógio de bolso de prata lavrada que ganhou de seu pai seria suficiente para fazê-lo esquecer da mudança.

No caminho, Maximilian Carver explicou à família que a casa tinha sido construída em 1928 para a família de um famoso cirurgião de Londres, o dr. Richard Fleischmann e sua esposa, Eva Kray, como residência de verão na praia. Na época, ela representava uma excentricidade aos olhos dos moradores locais. Os Fleischmann eram um casal sem filhos, solitário e, ao que tudo indicava, pouco afeito ao contato com as pessoas da cidade. Uma história interessante que ficará marcada na memória de Max como uma curiosa coleção de imagens extravagantes.
Durante uma visita dentro da própria casa, se aventurando em descobrir cômodos, Max encontra um bosque no fundo de sua casa. Logo adiante, um jardim com estátuas de diversos tipos: um domador, um faquir de turbante e nariz aquilino, uma contorcionista, um halterofilista e toda uma galeria de personagens que pareciam fugidos de um circo fantasma. No centro do jardim, uma estátua representando um palhaço sorridente, de cabelo arrepiado, em cima de um pedestal. #medo
Não apenas isso, mas Max tem certeza de ter visto a silhueta de um barco, negro e afilado, navegando como uma miragem no meio da bruma no mar. Segundos depois, tinha desaparecido.
A vida da família muda novamente e repentinamente quando Irina, a filha caçula de Maximilian Carver (e irmã de Max) cai das escadas e desmaia instantaneamente após ouvir sussurros por detrás do armário de seu quarto. Quanta loucura dentro de uma casa, para uma família, em um único dia.

“- As lembranças ruins perseguem você sem que precise carregá-las consigo.”

A partir de então começa a aventura sombria e misteriosa que traz o passado à tona. Com seu novo amigo Roland, Max e sua irmã Alicia irão desvendar o grande poder que assombra o vilarejo e o navio naufragado Orpheus.
Um velho barco que naufragou em 1918 e se transformou numa selva submarina com todo tipo de algas. Durante uma terrível tempestade noturna, o barco encalhou em rochas muito perigosas, pois ficava a poucos metros da superfície. A fúria do temporal e a escuridão da noite, quebrada apenas pelo estrondo dos relâmpagos, fizeram com que todos os tripulantes morressem afogados no naufrágio. Todos menos um. O único sobrevivente da tragédia foi um engenheiro que, em agradecimento à providência que salvou sua vida, se instalou na cidade e construiu um grande farol no alto dos penhascos íngremes da montanha que dominava o cenário daquela noite fatal. Esse homem, já muito velho, continuava sendo o guardião do farol e era nem mais nem menos que o “avô adotivo” de Roland: Víctor Kray.
A verdade é que não era um barco de passageiros, mas um cargueiro, e tinha péssima fama. Seu capitão era um holandês bêbado e corrupto até os ossos que alugava o barco para quem pagasse mais. De todo modo, com o final da guerra, o negócio começou a ficar mal das pernas e o holandês voador teve que procurar transações ainda mais escusas para pagar as dívidas de jogo que tinha acumulado nos últimos meses. Parece que, numa de suas noites de má sorte, que costumavam ser a maioria, o capitão perdeu até a camisa numa partida com um tal de Mister Cain. Esse Mister Cain exigiu que o holandês embarcasse com toda a trupe do circo e a transportasse clandestinamente para o outro lado do canal: o suposto circo de Mister Cain escondia mais do que simples equipamentos circenses e ele tinha interesse em desaparecer o quanto antes. E, claro, ilegalmente. O holandês concordou. O que mais poderia fazer? Ou concordava ou perdia imediatamente o barco.

Envoltos na névoa de mistérios e perigos envolvendo o Orpheus e o terrível feiticeiro Cain, os meninos terão que investigar a fundo a história do barco, do farol, da casa onde Max mora e o jardim de estátuas atrás de sua casa. Como enfrentar o Príncipe da Névoa? Nossos personagens aventureiros terão que descobrir por conta própria…

“Sentia que, pela primeira vez em sua vida, o tempo passava mais rápido do que desejava e ele não podia mais se refugiar no sonho, como nos anos anteriores. A roda da fortuna tinha começado a girar e dessa vez quem jogou os dados não tinha sido ele.”

Ai que história fantastiquíssima (existe essa palavra? o.O)! Como disse no começo do post estou impressionada com o escritor (que provou ser diferente do que eu pensava). Primeiro imaginei um escritor cheio de “charme” e de “querer falar difícil”, sabe como é? Mas o romance juvenil do Zafón (um dos primeiros de uma série) me conquistou pela simplicidade, a visão dos personagens principais através da narrativa em terceira pessoa (a maior parte pela visão de Max mas com fragmentos de Irina, Alicia, Roland, e Víctor Kray), o vocabulário e interpretação acessível tanto para adolescentes quanto para adultos. Zafón conseguiu, através das palavras corretas, alcançar o público que ama um bom romance sombrio. Não me interprete mal, não estou dizendo que o autor é “furreba” e sem graça, pelo contrário, me conquistou com grande mérito.

Não posso deixar de lado o medo que tomou conta de mim nos primeiros capítulos. Pois é,tenho um pavor inexplicável com palhaços (já reparou como, qualquer um, consegue se tornar sombrio e medonho com aquela maquiagem horripilante? o.O) e Zafón utilizou esse “serzinho” para aterrorizar os personagens e, consequentemente, os leitores. A história do Orpheus e do Mister Cain me deixaram vidrada. É impossível não mergulhar nas palavras de Zafón, que nos leva até o fundo do oceano para desvendar a maldição que cai sobre o Orpheus.

Leitura mais que recomendada para todos os apreciadores de uma boa história contada sob as palavras de um grande escritor espanhol (que, aliás, ganhou vários prêmios com “O Príncipe da Névoa”)!
Não vejo a hora de ler os outros livros do autor!
Espero que tenham gostado e, quem já leu o livro, compartilhe sua opinião conosco através dos comentários!
Beijos di moça!

Carlos Ruiz Zafón

Carlos Ruiz Zafón nasceu em 25 de setembro de 1964, em Barcelona, cenário de seus romances A sombra do vento e O jogo do anjo, mas vive desde 1993 em Los Angeles, onde trabalha como roteirista. Nos anos 1990, escreveu a trilogia infantojuvenil composta por este livro, O príncipe da névoa (1993), além de O palácio da meia-noite (1994) e As luzes de setembro (1995), e também Marina (1999). Lançado originalmente em 2001, A sombra do vento vendeu mais de dez milhões de exemplares em todo o mundo. Seus livros mais recentes publicados pela Suma de Letras são Marina (2011) e O prisioneiro do céu (2012).


Site do autor | Site Suma de Letras


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• Temos 21 comentários nesta postagem" •

Caline, disse: - 29-05-2013 (14:40)

Oi Jeh, eu nunca me interessei pelos livros do Zafón exatamente pela mesma razão que você. Imaginei que sua escrita seria complexa e filosófica, mas parece que me enganei.
Não tenho medo de palhaço, mas se você ficar observando eles por bastante tempo é estranho mesmo.
Sua resenha ficou incrível, mas ainda não conseguiu vencer minha resistência, ainda não é a minha hora com ele.

Beijos
Caline


Isabel Maia, disse: - 29-05-2013 (15:08)

Zafón tem essa magia na escrita. Nos leva pela mão junto com os personagens que ele cria através dos cenários que vai descrevendo. Eu me sinto andando pelas ruas de Barcelona na maioria dos livros dele.
E depois ele junta a tudo isso uma atmosfera de mistério a cada palavra que deixa qualquer leitor com coceira na ponta dos dedos para virar a página e continuar lendo, nem que tenha que virar a noite inteira acordado.

Vou te contar um segredo: eu sabia que vc ia gostar de ler Zafón :)

Beijão!!


Inara (@lerdormircomer), disse: - 29-05-2013 (15:16)

Oi, Jeh!

Ainda não li nada do Zafón. Já li várias resenhas elogiando seus livros, mas não li nenhum até agora. Sempre tive a mesma impressão que você: que seus livros eram daqueles que se deve ler com cuidado e atenção, cheio de significados nas entrelinhas. Bom saber que, apesar do seu medo, você curtiu o livro.

Beijos,
Inara
http://www.lerdormircomer.com.br/


Silvana Crepaldi, disse: - 29-05-2013 (15:38)

Justamente esse livro dele ainda não li. Também tenho medo de palhaços hehehehehe. Eu conheci o Zafón no começo do ano passado, e me apaixonei. Os livros dele são maravilhosos. Por enquanto todo mundo que eu indiquei tem gostado.

http://blogprefacio.blogspot.com.br/


Aryane Kautnick, disse: - 29-05-2013 (20:16)

Olá! Só passei pra avisar que te indiquei para uma TAG no meu blog >.<
Espero que goste!!
http://entreoagoraedepois.blog......html#more

Beijão!!


Suzana, disse: - 29-05-2013 (22:16)

Gostei muito da resenha! Me interessei pelo livro, a capa também é muito bonita e atraente! Parabéns pelo blog! Gostei muito daqui!


JOsiane, disse: - 29-05-2013 (22:51)

Oi Jeh, sou apaixonada pelos livres do Záfon. Ele é mestre, sempre muito envolvente e deixando um ar de mistério. Meu livro favorito dele é o Jogo do Anjo, você deve ler, é realmente muito bom! Beijos!


Tais, disse: - 30-05-2013 (10:07)

Oi Jeh,
Eu tenho esse livro aqui na minha estante e irei ler em breve.
Sempre vejo tantas resenhas positivas a respeito da escrita do Zafón que fico bem curiosa para saber se irei gostar tanto quanto todo mundo gosta..rsrs

bjs
Tais
http://www.leitorafashion.com.br


Nanda, disse: - 30-05-2013 (11:09)

Ei Jê

Eu amo o autor, mas o meu queridinho dele é A sombra do vento, este eu gostei, mas comparando com os outros não amei. Mesmo sabendo que este foi seu primeiro livro lançado eu esperava mais rs.
bjs


Bruna Araújo, disse: - 30-05-2013 (12:06)

Oi, Jéssica!!

Olha, também venho adiando a leitura das obras do Zafón, mas acho que é inconscientemente rs Na última promoção que teve no Submarino eu logo coloquei alguns livros que eu precisava (necessitava!) no carrinho, e sobraram duas “vagas”, então eu me desesperei sem saber quais livros escolher entre tantos *__* No fim, meio que me arrependi das minhas escolhas -.- Fiquei querendo muuuito alguns livros e entre eles algum do Zafón! Para começar queria ler Marina, por ser volume único (eu acho), mas sua resenha de Príncipe da névoa me fisgou *___* O que faço agora T.T? Esse é exatamente o tipo história de “Terror” que eu gosto, com suspense!!!
Escrevi tudo isso porque fiquei realmente interessada no livro (quando isso acontece, normalmente começo a tagarelar rsrs)… então não vou prolongar muito, digo apenas que resenha ficou excelente! E as fotos lindas!( ia falar isso na ultima resenha, mas esqueci ^.^) Lembrei do A series of serendipity ^.^ , a Mel também posta fotos lindas nas resenhas ^.^.
Ah! Você sabe quantos livros essa série tem ao todo? Eu pensava que era uma trilogia :/ Espero poder lê-la *.*
Até mais!! :*
@Leitora1


Thaiane Nobre, disse: - 30-05-2013 (15:48)

Acredita que penso o mesmo que você pensava antes de ler O príncipe da névoa? Eu sei que tbm não se deve julgar um livro pela a capa e muito menos um título… mas ainda não consegui me imaginar lendo esse.

Mas falam tão maravilhosamente bem dele e de seus livros, que resolvi dar uma chance. Não, AINDA, para O príncipe da névoa… mas para Marina. =)
E pretendo ler em breve. E se caso tbm me encantar por sua escrita, invisto nos outros.

E olha que legal. Ele faz aniversário no mesmo dia que eu. :DD haoshoashoahs


Sarah Nogueira, disse: - 02-06-2013 (22:33)

Sempre o do tive curiosidade para ler algo do Zafón. Vou guardar a dica. Beijo


Daniela, disse: - 03-06-2013 (07:47)

Eu adoro Zafon, mas não entendo o por que deste livro ter causado tantas opiniões diferentes. Já li pessoas que gostaram e outras comentarem que este é o mais fraco de todos os livros que o autor já lançou, mas eu, puxa-saco deste homem, assim que tiver uma oportunidade o lerei.
Em 95% dos casos minhas opiniões coincidem com as suas resenhas Jeh, então acho que darei a mesma quantidade de estrelinhas que deu, rs.


Fernanda Rocha, disse: - 30-06-2013 (14:30)

Olá, sumi mas volteiiii… e por isso estou lendo e vendo vários posts seus. Sobre o livro, acredita


Fernanda Rocha, disse: - 30-06-2013 (14:31)

Ops…comentário foi pela metade, heheh, mas continuando… acredita que ainda não li nada desse autor? Nem sei falar se gosto da escrita dele ou não mas que vejo muitas pessoas falarem bem dele eu vejo. As fotos estão um arraso a parte, parabéns.


@DriiEscritora, disse: - 04-07-2013 (14:01)

Olá Jessica, venho aqui falar um pouco do meu amor por esse escritor único. Tive o prazer de “conhecê-lo” através de A Sombra do Vento. Foi de primeira que tive a certeza de que jamais leria outro livro que não fosse escrito por ele com a mesma paixão e entrega. Foi aí que fui em busca de outros livros de sua autoria, li O Jogo do Anjo e… CARACAAAAA quase pirei, como ele faz essas coisas? Como ele entrelaça as histórias de um jeito tão interessante? Aprofundei-me em pesquisas, queria ler mais coisas escritas por ele e vi que tinha a trilogia da névoa, ainda em espanhol… que frustrante, ainda não haviam sido lançados no Brasil. Mas eu estava fascinada pelo mundo “Zafonico”. Baixei então El Príncipe de La Niebla e li em espanhol mesmo, em menos de 3 dias já tinha terminado… aconteceu o mesmo com El Palacio de la Medianoche e Las Luces de Septiembre. Logo fiquei feliz pois vi na pré venda Marina; comprei imediatamente e mais uma vez me entreguei a sua escrita com vigor. Sempre surpreendente, sempre com aquele toque belo e fúnebre coberto de névoa e mistério.
Passado um tempo vi que ele lançaria uma suposta continuação para A Sombra do Vento. (O Prisioneiro do céu). Como assim???? Continuação???? AAAAAAAAAAAAAAA!!!!
Pois é, pirei, e que sorte, foi lançado no Brasil e mais uma vez… CARACA… Como ele faz isso²? Como ele consegue misturar os personagens e as tramas com tanta audácia? Não sei bem como (sem spoillers) mas Zafón conseguiu que A Sombra do Vento e O Jogo do anjo criassem um vínculo indiscutível com O Prisioneiro do Céu, tendo ainda outro livro que será para fechar a QUADRILOGIA.
Sem mais, Carlos Ruiz Zafón é, pelo menos para mim o melhor escritor vivo. O melhor. E espero um dia poder conhecê-lo pessoalmente e agradecer por tudo que ele fez por mim; afinal, aprendi a escrever lendo seus livros, aprendi a dar alma a meus personagens através dele e aprendi a acreditar que em algum lugar do mundo existe sim O Cemitério dos Livros Esquecidos ^.^
abraços…


Marcia Lopes Lopes, disse: - 17-07-2013 (00:24)

Adorei seu pedaço! rs
E te digo minha amiga Zafon é tudo de bom! Já li todos dele, me tornei aquela fã absurdamente fã! Adorei tua resenha!
Bjs


Dia das Bruxas Literário [Promoção] - Babi Lorentz, disse: - 25-10-2013 (11:55)

[…] Leia a resenha: Di Moça […]


Carlos, disse: - 09-05-2014 (09:58)

Amei este livro como também o autor! fantástico.
Leiam outras resenhas aqui…
http://regozijodoamor.com/2014.....uiz-zafon/


Amanda, disse: - 20-05-2014 (10:14)

Leia A SOMBRA DO VENTO. Leitura maravilhosa. o meu preferido do Zafon!
bjs

Jeh Asato Jeh Asato, respondeu:

Obrigada pela dica, Amanda!
Acho que tenho ele aqui! Vou lê-lo assim que eu conseguir furar minha própria fila de leituras! Hihih!
:*




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