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O Presente do Meu Grande Amor

24 . dezembro . 2014

Não tem momento mais oportuno para lançar uma resenha com doze contos de Natal do que na véspera da data festiva (ou na própria data, como queiram).
O lançamento da Intrínseca me pegou de surpresa já que não estou acostumada a ler contos e não sou fã do Natal mas foi uma surpresa surpreendente (existe isso?). Em doze contos, organizados pela Stephanie Perkins, podemos rir, chorar, sonhar e cair na real.
Confiram um pouquinho sobre esse conjunto de contos natalinos!

O Presente do Meu Grande Amor (My True Love Gave to Me: Twelve Holiday Stories)
Organizado por: Stephanie Perkins
Ano: 2014
Páginas: 350
Editora: Intrínseca

* Livro enviado pela editora como cortesia.

Sinopse:

Se você gosta do clima de fim de ano e tudo o que ele envolve, presentes, árvores enfeitadas, luzes pisca-pisca, beijo à meia-noite, vai se apaixonar pelo livro. Nestas doze histórias escritas por alguns dos mais populares autores da atualidade, há um pouco de tudo, não importa se você comemora o Natal, o Ano Novo, o Chanucá ou o solstício de inverno. Casais de formam, famílias se reencontram, seres mágicos surgem e desejos impossíveis se realizam. O pessimismo não tem lugar neste livro, afinal o Natal é época de esperança.

Créditos: Skoob

O conto é uma obra de ficção que cria um universo de seres e acontecimentos, de fantasia ou imaginação. Como todos os textos de ficção, o conto apresenta um narrador, personagens, ponto de vista e enredo.
Diz-se que o conto se define pela sua pequena extensão. Mais curto que a novela ou o romance, o conto tem uma estrutura fechada, desenvolve uma história e tem apenas um clímax. Num romance, a trama desdobra-se em conflitos secundários, o que não acontece com o conto. O conto é conciso.

Fonte: Wikipédia

“- Nem todo mundo sabe como conseguir aquilo que deseja.”

Meias-noites (Rainbow Rowell)

Mags e Noel se conhecem desde os 15 anos, na festa de ano novo no porão da casa de Alicia. Noel é um garoto magricela, pálido e alérgico a nozes e se tornou a pessoa favorita de Mags. Mas em 2014 alguma coisa mudou, um sentimento novo rompeu. Nos três anos de amizade entre eles, Mags havia passado muito tempo fingindo que não precisava de nada mais além do que Noel já lhe oferecia. Ela dizia a si mesma que havia uma diferença entre querer uma coisa e precisar… Será que realmente basta?
Conto narrado em terceira pessoa, Rainbow Rowell nos direciona para o amadurecimento da amizade entre os personagens. A história é fofa-romântica mas não me senti tão atraída pelos personagens como imaginei que aconteceria.

A dama e a raposa (Kelly Link)

Miranda é uma garota de 11 anos que passa os Natais na casa dos Honeywell. Afilhada de Elspeth – que é mãe de Daniel – a garota já se acostumou com a sala sempre repleta de adultos conversando sobre todos os assuntos nas noites de Natal. No final da festa, Miranda nota um homem no jardim parado na frente da janela, olhando para dentro da casa. Seria o Papai Noel? Daniel, do seu jeito excepcional, afirma que não sem mesmo conferir. Com o passar dos anos, Miranda se atenta sempre à janela à espera do homem misterioso. Quando finalmente o conhece, compreende que existe muito mais que regras para que ele possa aparecer apenas no Natal e quando neva. Antes garota e agora mulher, Miranda está decidida a desvendar e conhecer esse homem que tanto mexeu com seu mundo.
Narrativa em terceira pessoa, Kelly nos apresenta um mundo dividido entre realidade e magia. Confesso que não entendi muito bem sobre a magia que rodeava o tal homem mas é um conto com cenas levemente sedutoras.

Anjos na neve (Matt de La Peña)

Shy Espinoza mora em Nova York para usufruir da bolsa integral da Universidade de Nova York. Aparentemente parece que ele se deu bem na grande cidade mas a verdade é que Shy não vê a hora de morar perto de casa novamente. Nas vésperas de Natal, Shy está no apartamento novinho em folha de seu chefe, Mike, e sua esposa, Janice, para cuidar da gatinha Olive enquanto viajam. Acontece que Mike havia se esquecido de passar no caixa eletrônico antes de sair e perguntou se poderia lhe pagar quando eles voltassem da Flórida. Sem problemas, mentiu. Agora, sozinho no apartamento e na própria Nova York – a neve de 30cm proibindo a saída dos moradores às ruas – a fome e a solidão parecem arrasadoras.
É quando a vizinha do andar de cima (Haley) bate à porta com problemas no encanamento do chuveiro. Sem saber ao certo se vale a pena ou não se passar por entendedor de encanamentos, Shy resolve ir até o apartamento da vizinha. E a partir daí nasce um relacionamento de revelações e suas vidas fora de Nova York.
O conto é narrado em primeira pessoa, sob o ponto de vista de Shy, e adorei a linguagem utilizada por Matt. Os personagens são bem desenvolvidos e me comovi com a sinceridade da Haley. Não me lembro de ter lido alguma obra de Matt mas, agora, fiquei bem interessada em conhecer outros títulos do autor.

“Mas será que ela não merece alguma coisa a essa altura? Um pouco de sorte?”

Encontre-me na estrela do Norte (Jenny Han)

Natalie – ou Natty, como os duendes do Polo Norte a chamam – é uma humana que foi encontrada pelo Papai Noel há quinze natais atrás, na Coreia do Sul. Agora, vivendo ao redor de duendes, Natty precisa encontrar um parceiro na noite de Primeiro de Dezembro, para o Baile da Neve. Nesse tempo, Natty pensa se é oportuno convidar o primeiro humano que conheceu, Lars, já que Flynn – seu amigo duende lindo – já tem companhia.
Neste conto, narrado em primeira pessoa, podemos entrar em mundo totalmente mágico onde duendes e o próprio Noel são seres tangíveis e bem cativantes. Gostei deste conto por ter me tirado do mundo real e me feito imaginar como seria viver no Polo Norte com outros seres lendários.

É um milagre de Yule, Charlie Brown (Stephanie Perkins)

Marigold adorava o terreno cheio de árvores de Natal. Para começar, era mais iluminado (e talvez até mais quente) do que o apartamento onde morava, em Ashville. A visita da garota naquele terreno não era para comprar uma árvore de Natal porque suas economias estavam contadas; nem para apreciar o Garoto das Árvores de Natal (bem, um pouquinho). Estava ali porque precisava de uma coisa dele. Algo de que ela precisava e só ele podia oferecer. Ela precisava da voz dele.
Porém, para conquistar esse desejo, Marygold está preparada para puxar assunto com esse Garoto e, quem sabe, ele possa dar a ela o que tanto precisa. Mas nesse período de conversa, eles terão um encontro transformador.
Gostei do conto apresentado por Stephanie, narrado em terceira pessoa. Os personagens são mais crescidos (19 anos) e desenrolam conversas bem espontâneas. North Drummond é um personagem encantador.

Papai Noel por um dia (David Levitham)

É difícil não se sentir um pouquinho gordo quando seu namorado pede que você seja o Papai Noel. Para nosso personagem (que não nos revela seu nome), ter que se passar por Papai Noel na noite de Natal para satisfazer o desejo do namorado, Connor, é um terror. Talvez a prova viva de que exista amor. É o primeiro Natal como um casal, apesar de não o passarem exatamente juntos. Porque ele terá que se vestir de Papai Noel e encantar a noite de Riley e, quem sabe, Lana – irmãs de Connor.
Neste conto é impossível não rir das situações e pensamentos do personagem principal, já que ele se mete em muitas situações engraçads graças à irmã pentelha de Connor, Lena. David Levitham nos apresenta de forma divertida as enrascadas do personagem-sem-nome. Não tinha lido nada de David ainda mas achei bem fácil e fluente a narrativa do mesmo.

“- Não é engraçado com em um dia você espera ansioso por uma coisa, como a neve, e, no dia seguinte, torce para que ela vá embora?”

Krampuslauf (Holly Black)

Acredito que este é o conto mais porra-louca e mais macabro de todos do livro. Narrado em primeira pessoa, Hanna é uma garota que não admite que o Krampuslauf seja do jeito que é: um evento beneficente que oferece chocolate quente de graça. Transformaram a coisa toda em algo completamente contra o verdadeiro espírito de Krampusnacht, que deveria servir para deixar as pessoas apavoradas, para correr com tochas e chicotes e gritar na cara de crianças em prantos para que elas fossem boazinhas.
Krampus é uma criatura horrenda da mitologia nórdica que acompanha São Nicolau durante a época do Natal, segundo lendas de várias regiões do mundo.
Hanna tem duas grandes amigas, Wren e Penny (de Penélope) que sai com um carinha chamado Roth. Roth é um cara riquinho que merece ser punido por apresentar a todos publicamente sua namoradinha Silke. Penny, que se lamenta pela situação vivida, terá a vingança manipulada pelas amigas. Uma suposta festa de ano novo no trailer da avó-morta de Hanna será planejada para que Roth seja desmascarado e Silke conheça a verdadeira face do maledeto. A grande surpresa é um garoto fantasiado de Krampus que mudará todo o rumo da história.
Neste conto (em primeira pessoa) também temos um toque de magia, revelado quase no final, que me pegou de surpresa. Aqui já não me senti tão à vontade, talvez por tantas referências macabras da personagem. Mas quem curte personagens doidos prontos para curtir a vida, está aqui uma boa dica.

Que diabo você fez, Sophie Roth? (Gayle Forman)

Sophie nos apresenta pelo menos doze momentos “Que diabo você fez, Sophie Roth?” desde que entrou para a faculdade e está prestes a viver mais um. As provas finais haviam terminado dois dias antes mas como os voos de volta a Nova York custariam metade do preço na semana seguinte, ela precisaria ficar por lá matando o tempo. E então conhece Russel e, para sua surpresa, passa um tempo incrível com o único garoto que a entende.
Esse conto é bem leve e gostoso de ler mas não chegou a me conquistar por completo. Ainda assim foi gostoso passar um tempo com eles.

Baldes de cerveja e menino Jesus (Myra McEntire)

Pela primeira vez na vida, Vaughn está encrencado de verdade. Depois de colocar fogo no celeiro ao lado de uma igreja metodista, o pastor da mesma lhe oferece uma escolha: se ele concordasse em abrir mão do seu feriado de Natal para ajudar a igreja a remontar a peça teatral, o incidente seria eliminado dos seus registros. Durante essas quarenta horas de trabalho comunitário, Vaughn irá além de uma simples encenação ao se apaixonar pela filha do pastor.
O conto é apresentado em primeira pessoa e foi bem rápido e agradável mas não me dominou como eu imaginei que aconteceria pelo título (parece divertido, né?).

“O objetivo de uma árvore de Natal é parecer com todas as outras árvores de Natal, mas ainda ter um pouco de você nela.”

Bem-vindo a Christmas, Califórnia (Kirsten White)

Este, sem sombra de dúvida, foi meu conto preferido. Muito bem escrito, com personagens cativantes e cheio de magia em um mundo catastrófico.
Maria mora em uma região censitária. Em Christmas (na Califórnia) não há o que se esperar e nem o que dar em troca, por isso ela não vê a hora de sair dali. Sua mãe e seu padastro trabalham na mina enquanto ela oferece sua mão-de-obra no Christmas Cafe. O salário é destinado para as despesas, os clientes são entediantes e nem ao menos oferecem uma gorjeta.
Mas quando Ben ocupa o cargo de cozinheiro da cafeteria, a magia invade o ambiente e transforma qualquer coração em sonho e esperança.
O conto é simplesmente lindo, cheio de significados e carregado de família. Adoro quando a família é foco principal. As situações tristes e perturbadoras de alguns personagens me deixaram com o coração na mão mas a transformação que Ben consegue causar no cenário é bem emocionante. Foi neste conto que finalmente me joguei em lágrimas.

Estrela de Belém (Aly Carter)

No aeroporto de Chicago, O’Hare, cinco dias antes do Natal, Hulda está implorando para a balconista deixá-la embarcar no voo para Nova York. O problema é que sua passagem não é para lá mas, se precisasse mesmo, poderia comprar outra passagem para o voo da manhã.
Analisando a situação de longe, Liddy resolve trocar de passagem com Hulda, uma total estranha com destino para qualquer lugar. Ao fazer a troca, Liddy desembarca em Oklahoma, em lugar algum, do jeito que pretendia. Mas ao conhecer a família de Ethan, o namorado de Hulda, todo o mundo criado por Liddy desaba para criar outro cheio de amor e afeto.
Adorei esse conto também, já que envolve família e é carregado de sentimentalismo. Ethan é um adolescente adorável e bem-humorado. Gostei também da revelação de identidade da Liddy.

A garota que despertou o Sonhador (Laini Taylor)

Este foi um dos contos mais confusos e ao mesmo tempo com a fantasia mais atraente, finalizando os contos do livro. Na Ilha das Penas, é tradição os homens deixarem presentinhos para suas amadas em cada um dos vinte e quatro dias do Advento. Mas para Neve não há muita comoção ou esperança, já que não se enxerga como alguém atraente para um pretendente. Levadas para lá doze anos antes, Neve é órfã da peste que assolou a Colônia Fracassada, comprada para trabalhar duro na fábrica. Uma vida precária que exige apresenta uma saída: casar-se com alguém de bem.
Infelizmente existe um pretendente: o reverendo Spears, um homem insuportável com seus sermões horrendos. Sem saber o que fazer, Neve conjura Wisha para lhe proteger das garras do reverendo.
É muito interesante a magia que surge ao redor do Sonhador e de tudo o que acontece quando este acorda a pedido de Neve. O amor que nasce entre um deus e uma humana é possível e cheio de força. O único conto que foge do conceito de Natal que compartilhamos.

“Mas as pessoas não precisam lembrar como era ser feliz e seguro no passado. Elas precisam ter esperança de que podem chegar lá outra vez, no futuro.”

Uma análise geral dos contos me permite dizer que o livro é bem receptivo e atende bem às características de conto (descritas acima). Leitura recomendada nos dias que antecedem o Natal, os contos adquirem mais força e significado quando lidos no clima natalino. Não importa sua religião ou crença porque os contos apresentam diversos conceitos de Natal: judaico, pagão, cristão. Eu, que não sou fã de Natal, fiquei encantada, emocionada e sonhadora ao ler cada conto e o mundo ao qual eles me levaram. Queria ser inserida em cada um deles e vivenciar o Natal apresentado por cada autor.
Todos os contos envolvem afeto e carisma nos relacionamentos, sejam os amorosos, familiares ou próprios. O amor é tema sólido e nos possibilita sonhar com a magia e as mudanças que só o Natal pode ceder.

Gostei muito da experiência que tive durante os doze contos natalinos e recomendo a todos que precisam e desejam fugir um pouco da realidade de doze formas diferentes e fascinantes.
Quem já leu, compartilhe aqui nos comentários qual conto te conquistou plenamente?
Beijos di moça!

Stephanie Perkins

Stephanie Perkins sempre trabalhou com livros – primeiro como vendedora, depois como bibliotecária e agora como romancista. Adora café moca, contos de fadas, música alta, caminhadas na vizinhança, chá de jasmim e tirar sonecas à tarde. E beijar. Stephanie e seu marido moram nas montanhas do norte da Califórnia.


Site da autora Site da Intrínseca


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• Temos 4 comentários nesta postagem" •

Andréia Renata, disse: - 24-12-2014 (13:10)

Oi Jeh, tudo bem?
Quero muito ler esse livro, parece ser bem interessante *-* Já li várias comentários positivos sobre ele e espero ler logo logo, já está na minha wishlist #MãeEuQuero!
Ameiii as fotos que vc colocou no post :D
Abraços e Feliz Natal!!!

Jeh Asato Jeh Asato, respondeu:

Oi Déia!!! Pois é, eu adorei e o bacana é que ele tem que ser lido em época de Natal, sabe? Acho que se for em outro momento perde toda a magia! \o
Espero que goste!

Beijão !




Carla Nascimento, disse: - 24-12-2014 (15:02)

Menina, socorro, seu comentário sumiu no buraco negro do spam e eu só achei hoje. Tô meio cansada de responder os comentários no blog, porque sei que ninguém volta pra ver e quero fazer amizade, então vou responder aqui pra tu ver, kkkkkk.

Enfim, sim, também fiquei alouca, toda agitada com os balões e ainda me doí não ter esperado mais tempo por eles.

Agência experimental é quando a gente monta um grupo pra fazer trabalhos e finge que é uma agência de publicidade de verdade, hahahaha, distribui cargos e tudo, quinem brincar de casinha.

—–

Eu queria muito esse livro, caiu uma lágrima quando não ganhei um sorteio dele, que teve esses tempos. Adoro contos, apesar de ficar desesperada pela continuação das histórias. Desse livro eu queria ler o conto da Rainbow, que já roubou meu coração com Eleanor&Park <3
Deixa eu perguntar, como é a parceria com a intrínseca? Entra em contato e eles selecionam ou tem um concurso que eu não fiquei sabendo? hahahaha.
Feliz Natal gata, beijos.

Jeh Asato Jeh Asato, respondeu:

Oi Carla!! Poxa, o que será que aconteceu com o comentário? Às vezes é o próprio plugin, né? Mas não tem problema, fico hiper mega feliz que tenha vindo aqui respondê-lo com zelo! \o/
Então, eu não sabia o que era agência experimental, a doida, né? Hahaha, obrigada por esclarecer, me sinto mais inteligente nesse momento!!

Eu gostei mais ou menos do conto da Rainbow! A maioria dos leitores amaram os livros dela (eu só li Eleanor & Park) mas não achei tudo isso, sabe? É legal mas não o meu preferido! :x
A Intrínseca abre seleção todo semestre para blogs parceiros! Começo desse ano vai ter, eles sempre divulgam no Facebook e você preenche o formulário com as informações que eles solicitam! \o
Tenta participar sim!

Beijão!




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