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O medo de ser

13 . julho . 2015

E de repente eu me vejo difusa. Uma estranha sensação. Meus olhos ficam turvos diante da imagem do lago. Aquele céu azul se transforma num mar revolto. Como um quadro impressionista. Navego contra a corrente, sinto meus músculos vivos, gritando, clamando. Me sinto uma estranha. Gosto amargo. O ar pesa diante dos meus olhos. Retinas insistem em ladrar ao vento. Tento sentar. A relva verde brilha, como numa frenesi de Picasso. Deito, sinto a Terra em contato comigo. Tento comunicar – me diante daquela ecossistema difuso. Dói. Sinto as partes do meu corpo latejando. Não consigo entender o porquê. Uma sensação de desconforto no local mais ameno do mundo e mais hostil, meu infinito existencial. Vejo uma sombra se aproximando. Um sorriso largo e braços a me acalmar. Não enxergo seu rosto. Um homem? Uma criança? Não importa. O que vale é o pertencer, o libertar – se. Um espelho a minha frente mostra a face que me enlaça, me espanto. A ajuda não poderia vir de mais ninguém. Como não notei antes? É claro. A chave para o encontro transcendental não poderia se dar em nenhum outro momento e com nenhuma outra pessoa. Começo a ouvir o som do meu coração e me percebo viva. Avisto o horizonte nas colinas. Começo a caminhar e sinto meu sangue correndo em cada extremidade. O precipício se aproxima. Me apaixono. Sinto a leveza de jogar-me, amar, ser.



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