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No Escuro :: Elizabeth Haynes

24 . outubro . 2013

Já faz um tempo que eu solicitei este livro para resenha e já faz um tempo que eu o li. Assim que eu favoritei Garota Exemplar fiquei curiosa com o thriller obscuro criado por Elizabeth Haynes! Peço desculpas pelo atraso nas resenhas mas estou tentando com afinco me organizar e trazê-las todas as quartas-feiras. Por favorzinho, me deem mais algumas chances, ok?

No Escuro (Into The Darkest Corner)
Autora: Elizabeth Haynes
Páginas: 336
Editora: Intrínseca

* Livro enviado pela editora como cortesia.

Sinopse:

Catherine aproveitou a vida de solteira por tempo suficiente para reconhecer um excelente partido quando o encontra: lindo, carismático, espontâneo… Lee parece bom demais para ser verdade. Suas amigas concordam plenamente e, uma por uma, todas se deixam conquistar por ele. Com o tempo, porém, o homem louro de olhos azuis, que parece o sonho de qualquer mulher, revela-se extremamente controlador e faz com que Catherine se sinta isolada. Amedrontada pelo jeito cada vez mais estranho de Lee, Catherine tenta terminar o relacionamento, mas, ao pedir ajuda aos amigos, descobre que ninguém acredita nela. Sentindo-se no escuro, ela planeja meticulosamente como escapar dele. Quatro anos mais tarde, Lee está na prisão e Catherine, agora Cathy, tenta reconstruir a vida em outra cidade. Apesar de seu corpo estar curado, ela tornou-se uma pessoa bastante diferente. Obsessivo-compulsiva, vive com medo e insegura. Seu novo vizinho, Stuart Richardson, a incentiva a enfrentar seus temores. Com sua ajuda, Cathy começar a acreditar que ainda exista a chance de uma vida normal. Até que um telefonema inesperado muda tudo. Ousado e poderoso, convincente ao extremo em seu retrato da obsessão, No escuro é um thriller arrebatador.

Créditos: Skoob

“Eu só precisava me manter viva.”

Em 2003, Catherine Bailey tem 24 anos e, apesar de morar em Lancaster, é uma mulher selvagem que adora dançar até ficar zonza, achar um canto escuro dentro de uma boate e transar encostada na parede. Em uma dessas aventuras na boate River, Cathy conhece Lee Brightman, o segurança que é um homem lindo-de-tirar-o-fôlego. Seu vestidinho vermelho de cetim deixa Lee morrendo de tesão. O relacionamento começa. Mas Cathy não imaginava que o homem lindo de olhos azuis seria o mesmo que acabaria com a sua vida.
Agora, em 2007, Catherine tem 28 anos e é uma mulher assombrada pelo próprio passado e pelo homem que colocou na cadeia há três anos. Vivendo em Londres, no apartamento totalmente fechado e conferido mais de três vezes, trabalhando na área de recursos humanos em uma fábrica de plástico e um futuro condenado, Cathy ainda tem muito o que temer.

“(…) se não souber a coisa certa a dizer, então não diga nada.”

O que eu posso contar sobre a história envolvente e agoniante de Elizabeth Haynes é isso. No mais, quero dizer que a história é de tirar o fôlego e deixar qualquer leitor tenso e ansioso.
A narrativa, muito bem desenvolvida nos apresenta duas personagens (uma de 2003 e outra de 2007) com personalidades demasiada diferentes na mesma pessoa. Catherine de 2003 é uma mulher livre, divertida, cheia de confiança, sexy e com muitas amigas fiéis. Ao se envolver com o segurança Lee, a vida da personagem se transforma gradualmente. No começo Lee ficava afastado por causa do emprego, às vezes durante vários dias, e não era nada legal. Mas quando ele estava com ela, tudo era ótimo. Quando ia ficar fora por um tempo, ele a avisava antes. E quando reaparecia, Cathy ficava tão ridiculamente aliviada em vê-lo voltar inteiro para si que qualquer queixa se desfazia no ar. Ele agora praticamente morava com ela. Quando ela saía para trabalhar ele ficava limpando a casa, fazendo um ou outro reparo, preparando o jantar para quando ela chegasse. Hum, parece o sonho de qualquer mulher não? Nessas horas eu sempre desconfio de personagens (masculino) complicados e perfeitinhos.
Só que não para por aí: Lee começa a mostrar certa brutalidade com Cathy, até mesmo durante o sexo, algo que a deixa transtornada mas ao mesmo tempo compreensiva. Até que chega um determinado momento que ela não pode fazer nada mais que colocá-lo atrás das grades.

“Agora preciso pensar em um jeito de seguir em frente com isso. Encarar o resto da minha vida. Um dia de cada vez, um passo após o outro. Não posso continuar assim por muito mais tempo. Não posso.”

A Catherine de 2007 é uma mulher extremamente medrosa, com alto nível de TOC e síndrome do pânico. Nesses momentos, preparar para sair significa verificar tudo. Duas vezes. Depois mais uma vez, porque começou um minuto depois da hora certa. E uma quarta vez, porque levou dois minutos a menos do que deveria ter levado. Desde o momento em que volta do trabalho até a hora de sair, verifica tudo. Sem contar o pavor de encontrar Lee solto nas ruas de Londres. Ela o vê em todos os lugares, o tempo todo. Claro que ele não pode ser os homens que vê, pois ele se encontra a milhares de quilômetros de distância, e bem trancado dentro da prisão. Mas ainda assim ele a assombra, uma aparição frequente, lembrando- lhe de que nunca vai se livrar dele. Mas como poderia, se ele ainda está dentro de sua cabeça?
Ao invés de procurar ajuda com médicos, Cathy encontra segurança e suporte nos conselhos de Stuart Richardson, seu vizinho de apartamento. Por coincidência (será?) Stuart é psicólogo clínico e trabalha no tratamento de depressão. A partir de então, os dois partem em busca de um novo ponto de vista para o sofrimento de Cathy e torná-lo menos doloroso.

“Pelo menos não me lembro de muita coisa. Parece que aconteceu com outra pessoa. É como se eu estivesse caído no sono quando tudo começou a ficar difícil demais, e então acordado há cerca de dezoito meses, gradualmente, com uma espécie de consciência embotada de que ainda estava viva, e tudo que me restava a fazer era ir em frente, um passo de cada vez, avançando e não recuando.”

Nossa, como esse livro é forte. Pois é, forte, tenso, denso, impactante. A autora não se conteve em usar palavras fortes e objetivas, às vezes nos deixando sem reação. O tema, por si só, não é para qualquer um: tem que ter sangue frio. Além de envolver abusos e agressões, Elizabeth nos apresenta o mundo de uma pessoa enclausurada pelo medo, síndrome do pânico e o TOC causados por traumas. Até a nossa personagem dar seu primeiro passo temos muitos acontecimentos marcantes para “vivenciar” com ela, transformando tanto os sentimentos dela quanto os do leitor. O objetivo é tentar caminhar para frente ao invés de recuar e Stuart se torna um importante ponto de apoio para ela.

Eu fiquei tão nervosa e ansiosa com os fatos narrados pela Cathy que a única coisa que eu queria fazer era jogar o livro na parede, sério. Fico até arrepiada só de lembrar. Lee é extremamente charmoso, envolvente mas dá para sentir que coisa boa não vai vir de lá. E enquanto nossa personagem não enxerga o que tem nas mãos, fiquei angustiada. O fato de a narrativa ser alternada entre passado e presente piora ainda mais as coisas, ou seja, Haynes fez tudo perfeitamente bem para que a história impactasse o leitor. Ora estávamos em 2003, ora em 2007 e eu queria devorar os acontecimentos, aguardando um final ao menos tranquilo para ela.

Sempre achei que mulheres que continuavam levando adiante um relacionamento violento e abusivo só podiam ser umas idiotas. Afinal, em algum momento elas deveriam ter percebido que as coisas tinham saído errado e que, de repente, haviam passado a sentir medo do parceiro – e, sem dúvida, era este o momento de terminar a relação. Deixá-lo sem pensar duas vezes, foi o que sempre pensei. Que motivo elas teriam para continuar? E eu já vira mulheres na televisão ou em revistas dizendo coisas como “Não é tão simples assim”, e eu sempre pensava, claro que é, é simples sim – apenas vá embora, afaste-se dele.

Um dos melhores livros que li este ano, sem sombra de dúvida. E se você gosta de muito suspense e tensão não deixe de ler este livro. Elizabeth Haynes vai ter surpreender tanto a ponto de fazer você desconfiar da própria sombra….

Se minha mãe estivesse aqui, minha vida talvez fosse totalmente diferente. Se meus pais não tivessem morrido no meu último ano de faculdade, talvez meu comportamento fosse outro. Talvez não me embebedasse toda noite, não dormisse com qualquer um, não usasse drogas, não acordasse na casa de desconhecidos me perguntando onde estava e o que tivesse feito na noite anterior. Talvez tivesse conseguido um diploma melhor; poderia ser uma diretora-executiva agora, comandando uma organização global em vez de lidando com recursos humanos de uma fábrica de plásticos. Talvez não tivesse ido ao River naquela primeira noite, no Dia das Bruxas, com aquele vestido cetim vermelho, o coração aberto e pronto para ser despedaçado. Ou não tivesse usado aquele casaco, que ainda guardava no bolso a nota fiscal do último chá que eu tomara na lanchonete da academia. Talvez não tivesse deixado a notinha no bolso, onde ele poderia vasculhar e descobrir um jeito de me encontrar. Talvez eu tivesse conseguido escapar.

Beijos di moça!

Elizabeth Haynes


Elizabeth começou a escrever desde pequena nos parquinhos, ganhou uma máquina de escrever de segunda mão quando tinha 13 anos que deveria ser portátil, mas pesava demais passando todos os fins se semana chuvosos em casa escrevendo. Em 2005 um amigo a apresentou ao National Novel Writing Month um concurso de 50 mil palavras. Em 2006 ela escreveu, mas acabou passando do limite e não concorrendo. Em 2008 começou a escrever sua primeira história e acabou mostrando a amigos que passou para frente e assim teve seu primeiro livro publicado. É graduada em alemão e arte na Leicester University e seus livros são fortemente influenciados por seu trabalho como analista criminal na polícia de Kent onde mora atualmente.

Site da autora | Facebook da Intrínseca


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• Temos 11 comentários nesta postagem" •

Daniela, disse: - 24-10-2013 (07:54)

Ai socorro!
Esse livro está na minha wishlist há um bom tempo e eu simplesmente ADORO essa capa!
Agora, eu até sabia que ele tinha uma pegada de suspense, mas não imaginava (ou lembrava) que ele tinha temas tão fortes!
Pronto! Já estou arrependida de não tê-lo comprado antes!

Posso dar uma opinião pessoal? Pode demorar pra fazer resenha tá? Que assim eu não fico tentada a comprar mais livros do que o meu salário permite.

#grata


Inara (@lerdormircomer), disse: - 24-10-2013 (11:32)

Oi, Jeh!

Puxa, esse livro parece ser mesmo incrível, tenso! Adorei a sua resenha e fiquei muito curiosa para ler! Me lembrou um pouco o livro “Identidade Roubada”, da Chevy Stevens. Você já leu?

Amei as fotinhos!

Beijos,
Inara
http://www.lerdormircomer.com.br


Hangover at 16, disse: - 24-10-2013 (13:04)

Nossa, adorei a sua resenha! Esse livro parece ter um potencial muito grande, e com certeza é daqueles que a gente lê e nunca mais esquece! Já está na minha lista pra ler :D

xx Carol
http://hangoverat16.blogspot.com.br/


Raquel Moritz, disse: - 24-10-2013 (13:16)

GEZUIZ, Jeh, que livro tenso. Já fiquei agoniada só de ler a resenha, hahaha. Ainda bem que é curto, nem sei como reagiria. Nesse momento tô olhando minha própria sombra (rsrsrsrs).

Beijo!!! ?


Caline, disse: - 24-10-2013 (14:01)

Oi Jeh esse livro parece ser incrível. Cheio de tensão, suspense e como você disse é bem forte mesmo. Desde as primeiras resenhas que eu li me senti empolgada e compelida a ler. Tenho certeza que vou adorar.

Beijos


Ane Reis, disse: - 24-10-2013 (22:13)

Oie Jeh =)

Acredita que eu não conhecia esse livro? Ai, que vergonha rs…

Eu até gosto de um pouco de suspense na história, por que isso faz minha mente trabalhar a mil, só que nada muito pesado entende.

Sou do tipo que se impressiona fácil e como só tenho tempo de ler a noite, realmente evito leituras mais tensas.

Ótima resenha linda!!

Beijos;***

Ane Reis.
mydearlibrary | Livros, divagações e outras histórias…
@mydearlibrary


Si Schurhaus, disse: - 25-10-2013 (01:11)

Já estou suspirando profundo lendo sua resenha, é exatamente a leitura que adoro. Entrou na minha lista. Obrigada pela indicação e pela ótima resenha. Beijos … :)


Daniela Farias, disse: - 25-10-2013 (10:28)

Quando eu terminei esse livro eu fiquei exatamente assim, igual a esse bonequinho aqui O.O
Nunca li um livro que me deixasse com uma sensação de agonia e tensão mas mesmo assim me fazer querer ler até o final. É a primeira vez que leio um livro desse tipo, posso dizer que experiência foi muito boa. Me fez sair de uma zona de conforto que estava acostumada a ler, que é o gênero de fantasia.
Gostei muito dessa autora, já dei uma pequisa sobre ela, pelo que vi ela uma das melhores para esse tipo de gênero.
Realmente, esse Lee é um completo psicopata! O final mesmo, meu Deus do céu! Aaah credo! hahaha
Mas enfim, gostei muito e quero ler mais livro dela!
Adorei a resenha Jeh, é bem isso aí mesmo que eu senti!
Beijo, beijo!


camila lacerda, disse: - 25-10-2013 (12:57)

Oii Jeh, uaau, nossa fiquei louca para ler.. ele parece mexer com nossa cabeça demais, gosto de livros assim :)


Natália Keli, disse: - 13-11-2013 (00:17)

Oi jeh!
Também já li o livro e achei muito bom, a autora soube fazer com que sentíssemos a tensão da personagem. Gosto muito de histórias assim e agora fiquei curiosa para ler Garota exemplar, já que você favoritou.rs
Amei o blog! Beijos
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Di Moça :: Colecionando sonhos e palavras! » Blog Archive » Restos Humanos :: Elizabeth Haynes, disse: - 18-06-2014 (14:00)

[…] como em No Escuro (ainda o melhor livro da Elizabeth que li), a autora nos apresenta os personagens principais e […]


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