Fernanda Ferrari

Ao pensar sobre mim mesma, penso sobre o mundo. Fernanda Vilas Boas Ferrari, nasci em São Bernardo do Campo, grande São Paulo, mas me criei em tantos lugares que não sei se me caracterizo como paulistana, caiçara, ou interiorana. Sim, já morei na capital, no litoral e no interior paulista. Nunca antes tinha me aventurado a outros estados. Só a passeio. E Rio, com toda sua poesia e cultura, me tomou por inteiro.

Com 22 anos de andanças, resolvi mudar meu rumo por completo. Recém terminada a faculdade de Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, resolvi que queria ir além, desbravar terras nunca antes vistas, dentro e fora de mim. Vim morar em Campo Grande no início de 2014. Quase um ano. Comecei mestrado em Estudos Literários e com grande foco em Clarice Lispector e Cazuza. Meus grandes amores começam com a letra C.

Amores e inspirações totalmente interligadas. Comecei a ler os contos de Clarice quando estava na escola, mas nada fazia muito sentido. Até ir para a faculdade e ter um outro olhar à obra dela, o fascínio foi irrefreável. Todas as inflexões sobre a existência humana me fazia enxergar melhor o que se passava ao meu redor. Me fez me posicionar de uma forma mais reflexiva diante da realidade e de mim mesma. Cazuza me veio muito cedo também, Exagerado e Preciso dizer que te amo já estavam no meu mp3 quando tinha meus 14 anos, mas nem imaginava quem era Cazuza. Com o filme dele, despertou o interesse e comecei a procurar mais músicas, álbuns, coletâneas, biografias, shows holográficos, covers. E aqui estou, permeada pela sua poesia em forma de música até na minha dissertação de mestrado.

E escrever? De onde tudo começou? Como sempre acreditei, amores nos movem a um nível sublime da existência. Como diria Clarice, prefiro a realidade inventada. Mesmo que turbulentas, as paixões nos inventam e reinventam. E foi assim. Ao amar intensamente e não ser correspondida, aos 17 anos, me vi precisando de um meio para me expressar. Uma fonte, alguém para me ouvir. Amigos ajudavam, mas queria algo só meu, uma forma de expurgar meus medos e angústias. E escrever foi algo natural, um desabafo que se tornou poético, quase como uma consulta psicanalítica comigo mesma há 5 anos. E a cada amor, cada decepção, cada experiência, cada show, cada amizade, tudo virou motivo para poesia, ou talvez, a poesia esteja em tudo e estejamos com muita pressa para enxerga-la? A efemeridade da vida nos engole todos os dias e nos coloca em um estado de angústia permanente, em que tudo vira entediante. Afinal, “transformar o tédio em melodia” é uma das soluções mais plausíveis para colorir a vida.

É o que tento fazer ao escrever, colorir e energizar a minha vida e a de quem me lê. Como já aconteceu muitas vezes ao ler Clarice, sem ela perceber, foi minha terapeuta, minha melhor amiga. Linhas sortidas faziam tanto efeito que tudo entrava em calma. É isso que quero ser para vocês, uma tormenta que acalma, uma reviravolta que traz paz. Como dizia Kafka, um machado no mar congelado que há dentro de nós.

F.F.

Facebok: http://www.facebook.com/fernanda.vilasboasferrari
Instagram: http://instagram.com/vilasboasferrari
E-mail: fernanda_ferrari92@hotmail.com

@blogdimoca no Instagram!

Di Moça :: Colecionando sonhos e palavras! - Todos os Direitos Reservados - Copyright © 2015 - Ilustração por Juliana Rabelo