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O retorno peruano

16 . fevereiro . 2015

O caminho para o futuro parece ser tão tortuoso quanto o que se apresentou há anos atrás. Uma linha vertiginosa que nos guia ao desconhecido de nós mesmos me atormenta. Será que é possível abstrair em um mundo tão caótico como esse? Sinto falta do verde, das montanhas imensas que me abrigavam de todos os medos do mundo. Só o que queria era ficar ali, apreciando sua magnitude e beleza. Uma aparência infinita do amor e paz. Uma energia contagiante. Quem estivesse lá sem pensar, era um caminho perdido. Caminhos, sempre caminhos que nos levam a lugar algum. Uma busca desenfreada pelo calor dos seus olhos em paisagens tão distantes. Toda a jornada, o aprendizado que existe só pode ser completo com você. Quando menos esperava, entoava suas canções como uma forma de não me desligar tanto de suas memórias. As montanhas andinas teriam sido felizes com o seu sorriso por ali. A energia teria sido restaurada e tudo aquilo teria feito um sentido ainda maior. O tanto que pensei e refleti sobre mim mesma, Peru me fez mais introspectiva, mas também mais livre. Para voar e arriscar. Naquela imensidão inca você percebe o quanto tudo é pequeno diante da natureza. Tão livre das amarras sociais e tão gigante diante do coração. Não consigo mensurar o impacto que teve em mim, mochilar, conhecer, viver. Um novo mundo, com novas cores, sabores. Uma nova perspectiva de mundo, de vida, de mim.

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Mergulho no nada do eu

05 . janeiro . 2015

Quando você se reconecta com o mundo, ele te agradece de inúmeras formas. E essa viagem foi a prova disso. Não poderia ter sido melhor, foi do jeito que era pra ser, para aprender, para evoluir, para relaxar. Não consigo me ver mais a mesma pessoa e acho que é esse o objetivo de toda viagem, ação, direção. Se não for, melhor dar uma volta e olhar ao seu redor. Os ventos do vale do Colca podem te indicar as direções, mas cabe a você estar pronto para perceber a melhor delas. A que mais te inspire, mais te mova, mais te transforme. Te mude para um mundo novo cheio de alegrias e decepções, nada é feito de perfeições, mas de eternos conflitos que nos levam além do ambiente letúrio que está a nossa volta. A vida peruana me fez ver como podemos ser felizes com um mínimo que consideramos um nada. O que realmente tem valor nessa vida e em todas outras? Ver o pôr do sol em uma praça e admirar o lindo vulcão coroando as luzes da noite, assistir o casamento de estranhos e ver o quanto é bom ver a felicidade alheia mesmo em outra língua. Felicidade não tem nome, endereço, nem língua. Ela se expressa em um olhar, gesto que podem ser muito mais expressivos que qualquer declaração de amor. Não é o ambiente que faz você, mas você que constrói o mundo a seu redor. Quer um com vista pra praia ou pro deserto? Não substime, o árido pode ser mais bonito, só depende da maneira como você se coloca, como enfrenta, como ama a vida.

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The 100 – Os Escolhidos :: Kass Morgan

31 . dezembro . 2014

Eu não poderia passar a última quarta-feira de 2014 sem uma resenha para marcar esse fim, não é mesmo? E para concluir o ano tive a oportunidade de me aventurar em The 100 – Os escolhidos de Kass Morgan, livro que me surpreendeu e compartilho logo abaixo. Vem comigo!

The 100 – Os Escolhidos (The 100 – Book 1)
Autora: Kass Morgan
Ano: 2014
Páginas: 288
Editora: Galera Record

* Livro enviado pela editora como cortesia.

Sinopse:

Desde a terrível guerra nuclear que assolou a Terra, a humanidade passou a viver em espaçonaves a milhares de quilômetros de seu planeta natal. Mas com uma população em crescimento e recursos se tornando escassos, governantes sabem que devem encontrar uma solução. Cem delinquentes juvenis — considerados gastos inúteis para a sociedade restrita — serão mandados em uma missão extremamente perigosa: recolonizar a Terra. Essa poderá ser a segunda chance da vida deles… ou uma missão suicida.

Créditos: Skoob

Há três séculos atrás uma guerra nucelar e biológica ameaçou destruir a Terra, tornando o espaço a única opção para aqueles suficientemente afortunados para sobreviver os primeiros estágios do Cataclismo. Vivendo em uma enorme nave espacial, a Colônia, uma missão perigosa e importante está prestes a ser desenvolvida. O centro de detenções está sendo esvaziado hoje. Uma centena de criminosos sortudos vai ter a chance de fazer história. 100 deles vão para a Terra. Se tiverem sucesso, suas infrações serão perdoadas e serão capazes de começar novas vidas na Terra.

Clarke Griffin tinha sido Confinada por traição, mas a verdade era muito pior do que qualquer um poderia imaginar. Mesmo se, por algum milagre, ela fosse perdoada em seu rejulgamento, não haveria um verdadeiro indulto. De acordo com a lei da Colônia, adultos eram executados imediatamente após a condenação e menores eram confinados até completarem 18 anos, quando recebiam uma última chance de se defenderem. Clarke estava prestes a completar 18 anos e é uma das escolhidas a fazer uma visita à Terra.

Assim que Wells, filho do Chanceler Jaha, tinha descoberto que Clarke estaria entre os cem enviados à Terra, ele tivera que fazer algo para se juntar a eles. E, como o filho do Chanceler, apenas a mais pública das infrações o levaria ao confinamento. Para o Chanceler, nada poderia justificar atear fogo na Árvore do Éden, a muda que tinha sido trazida a Phoenix logo antes do Êxodo. No entanto, para Wells, aquilo não tinha sido uma escolha

Para Bellamy deixar que sua irmãzinha Octavia partisse nessa expedição sozinha era o mesmo que abandonar suas promessas e permitir que O fosse à execução. Agora ela estava recebendo uma segunda chance na vida e ele fazia questão de que ela aproveitasse. Ele iria à Terra com sua irmã e fará qualquer coisa para ser membro dessa expedição, nem que para isso precise ameaçar o Chanceler.

Glass Sorenson, ao contrário de seus colegas de Confinamento, precisa aproveitar o rebuliço causado por Bellamy e escapar dessa expedição para encontrar seu grande amor, Luke, e explicar de uma vez por todas o motivo de seu Confinamento.

Assim que os cem condenados são enviados à Terra muitas aventuras e desventuras estarão esperando por eles. Destinados à provar de que o ambiente é receptivo para começarem a recolonização, Clarke, Wells e Bellamy enfrentarão o desconhecido planeta Terra e terão que sobreviver com o que lhes foram proposto. Apesar da liberdade, será seguro estar entre 100 condenados à execução? Os cem podiam ser os primeiros humanos a chegar no planeta em três séculos, mas eles não estavam sozinhos. Alguns nunca tinham ido embora.
Não muito diferente, Glass terá que enfrentar seu passado, seu presente e até mesmo seu futuro na Colônia e os motivos que levaram o Conselho a despachar os condenados à Terra.

Preciso dizer que eu gostei muito da proposta de Kass Morgan em Os Escolhidos, primeiro livro da série. Para quem não curte enredos que se desenrolam no espaço (essa sou eu), fiquei maravilhada com o desenvolvimento e estrutura do mesmo. Narrado em terceira pessoa, cada capítulo é focado em um personagem principal (Clarke, Wells, Bellamy e Glass) de forma que, em um determinado momento, as histórias se cruzam espontaneamente. Outra característica que Kass usou foi voltar no tempo e discorrer sobre o passado de cada personagem, nos deixando a par dos acontecimentos anteriores ao presente. Esse recurso presente-passado foi muito bem sinalizado e nos permite conhecer a vida dos personagens antes de serem confinados para execução.

Nos primeiros capítulos do livro acreditei que todos os outros seriam focados na sobrevivência dos personagens na Terra mas, graças à Glass que fica na Colônia, a mistura de Terra e espaço tornou a leitura mais fluente.
Os meus capítulos preferidos, com certeza, foram os da Glass (apesar de, no começo, ela aparentar ser frágil demais) e de Bellamy (que achei ser mulher mas é um homem), mais audacioso e irônico.

Enquanto a leitura se desdobrava eu ficava mais alerta e impressionada com as conexões feitas por Kass, nos dando um gostinho de “quero o próximo livro para hoje!”. O final foi bem intencionado, nos deixando curiosos para a continuação das histórias, tanto na Terra quanto no próprio espaço.

Fico muito satisfeita com minha última leitura e resenha de 2014 e tenho o prazer de lhes recomendar a leitura para todos que gostam de uma história bem desenvolvida com personagens e cenários envolventes com gostinho de “preciso do próximo livro!”

Alguém aí já leu Os Escolhidos? Vale lembrar que há uma série homônima baseada no livro e fiquei super interessada em assistir. Pelo trailer é perceptível mudanças nas informações mas dá para encontrar semelhanças.

Espero que tenham gostado e deixem nos comentários o que vocês acharam do livro ou da série, ou se vocês ficaram interessados nos mesmos!
Beijos di moça!

Stephanie Perkins

Kass Morgan é uma escritota de fição Young Adult e autora da série The 100, livro que inspirou a série homônima. Morgan nasceu em Nova York e mora no Brooklyn. Estudou literatura no Brown e Oxford e uma fã de fição científica e romances vitorianos.


Twitter da autora | Site da Galera Record
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A imersão

29 . dezembro . 2014

Ao olhar para os lados vejo sombras que me acordam. Tais vislumbres de lembranças que me fazem pensar em como estou aqui e como vou lidar com tudo isso. Ando, ando e paro na praia. Aquela visão peruana me faz me sentir livre. Livre de todas as amarras sociais e obrigatórias. Que me privam de pensar com liberdade, com amor. Real à vida e a mim. Penso que talvez mais pra frente consiga ver algo mais concreto para se dedicar. Algo mais profundo para amar. Coloco minha canga na praia e admiro os pássaros voando, livres. Livres. As admiro, suas asas lhe possibilitam estar além do céu, do ar. Deixo o sol entrar em mim como quem recarrega as energias no coração do mundo. Coração que me habita e me alimenta. A sensação de queimar a pele me deixa mais viva.
Começo a andar em direção à água, me vejo menor ou maior? As águas possuem meus pés e perco controle deles. É como se não pudesse mais me guiar, a maré trata de me levar para onde devo ir. O sal rasga minha pele, mostra meu interior, exposto ao sol e aos ruídos das ondas. Os pássaros se agitam e é como se tudo não tivesse mais em seu ritmo natural. Porém mais calmo, mais em sintonia. Parece que desenhavamos danças no ar, jogos de vento, rodopios constantes. Sintonia com a natureza. Momentos epifanicos que me fazem maior, sempre maior. Me inundo de mim mesma e já não me acho mais. Água e eu somos um só, natureza, céu e mar, coração e ódio. Somos uma junção de luz e amor, uma paz que me levaria além, para outro mundo, para dentro de mim.

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