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A corrida contra o fim

15 . junho . 2015

Ela se sente como em um vácuo de não presença, de não existência. Um vazio que deveria possuir nada, mas tem tudo. Uma completude de ausências, de dores e nostalgias. Um sentimento de não pertencimento diante da correria do mundo. Vivemos correndo. Para festas, trabalho, aulas, desencontros, desamores. Vivemos correndo. Numa velocidade capaz de aplacar a dor de existir, nos amortece, mas nos move adiante. Algum lugar essencial? Há dúvidas que perambulam diante de nós como um flash. Não vale a pena pensar. Dói. Tudo é mais fácil se seguido o fluxo. A corrente do mar, do futuro, do devir. O ser para o fim e inserido na finitude da vida. Estar contra a maré é árduo, difícil de se localizar no mundo e em si mesmo. Constante ebulição. As mutações a transformam de uma forma tão fugaz. Não consegue se olhar no espelho. Efêmera, se angustia. Em sua máxima potência de desmembramento, há a repartição do ser. Será ela uma fênix ou um corvo a piar até a morte? A pior forma de morrer é em vida. Sentir seus membros em constante deterioração. Um ser errante nadando contra a corrente da vida, ela caminha para o campo. O pôr do sol mais uma vez. Só mais uma. Só…



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Mayse Silva, disse: - 15-06-2015 (09:13)

Que texto lindo! Me indentidiquei demais com ele. Acho que muita gente se identifica, parece que quanto mais velho ficamos, menos tempo temos para as coisas simples, e ás vezes parece que correria do dia a dia vai nos sufocar.
Lindo mesmo o texto, amei.


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